Quase sete em cada 10 portugueses estão preocupados com o estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e mais de um terço admite ter necessidade de contratar seguros nesta área. Os dados constam de um inquérito desenvolvido pela Behavioral Insights Unit (BIU) da Universidade Católica Portuguesa.
O estudo, que envolveu uma amostra de 575 inquiridos, concluiu que 69,7% dos participantes afirmaram estar “muito preocupados” com o SNS, enquanto apenas 6,4% indicaram baixos níveis de preocupação.
Os resultados apontam para um “sentimento generalizado de insegurança quanto à capacidade de resposta do sistema público de saúde”, que leva 35,5% dos inquiridos a considerar necessário recorrer a um seguro de saúde, “sinalizando uma abertura a soluções complementares no sector privado”, adiantou a instituição em comunicado.
Os dados revelam ainda que 57,8% dos participantes acreditam que consegue aceder a cuidados de saúde quando for necessário, embora apenas 5,9% manifestem total confiança. Ainda assim, 20,3% demonstraram baixos níveis de confiança no acesso ao SNS.
Já a percepção do estado de saúde individual surge significativamente mais positiva, com 70,9% dos inquiridos a avaliar a sua saúde de forma favorável e 3,1% a reportar uma percepção negativa.
Este estudo pretendeu analisar, através de uma amostra populacional, a percepção do estado de saúde, a confiança na obtenção de assistência em saúde, o grau de preocupação com o estado actual do SNS e a percepção da necessidade de contratação de seguro de saúde.
O Relatório de Avaliação de Desempenho e Impacto do Sistema de Saúde (RADIS) da Convenção Nacional da Saúde (CNS), divulgado no final de 2025, indicou que mais de um terço dos portugueses (35,4%) tinha dupla cobertura de saúde, com acesso simultâneo ao SNS e a um seguro ou subsistema, valor três vezes superior à média europeia (10,4%).
A proporção de pessoas com dupla cobertura cresceu de cerca de 20% em 2012 para 35,4% em 2023, adiantou o documento, que atribuiu essa tendência crescente a uma segmentação progressiva do acesso aos cuidados, com maior recurso a seguros privados como complemento ao SNS.
Em Portugal, existem actualmente perto de quatro milhões de pessoas com seguro de saúde.














