Uma nova burla associada ao MB Way está a circular em Portugal e pode transformar utilizadores em intermediários involuntários de esquemas de lavagem de dinheiro. O esquema assenta numa lógica simples, mas altamente eficaz, explorando a boa-fé das vítimas e a rapidez das transferências digitais.
O método começa com a receção de uma notificação de transferência via MB Way, sendo que, pouco depois, a vítima é contactada – normalmente através do WhatsApp – por alguém que afirma ter feito o envio por engano e pede a devolução do montante. O primeiro sinal de alerta, segundo a DECO PROteste, é simples de verificar, uma vez que o número que envia a mensagem por WhatsApp não coincide com o número que lhe efetuou a presumível transferência.
Ao devolver o valor para o contacto indicado, o utilizador pode estar, sem saber, a participar num esquema de branqueamento de capitais. O dinheiro recebido tem, muitas vezes, origem ilícita – proveniente de outras burlas – e a sua devolução serve para “limpar” o rasto das transações. Neste processo, a vítima transforma-se na chamada “mula de dinheiro”, podendo inclusive ficar associada a investigações criminais, ainda que de forma involuntária.
Perante este tipo de situação, a recomendação da DECO PROteste é a de não se agir por impulso, sublinhando que não se deve devolver o dinheiro diretamente ao remetente desconhecido.
Em vez disso, o utilizador deve:
- Interromper qualquer contacto com o suposto remetente;
- Contactar de imediato o banco para reportar a situação e pedir orientação;
- Guardar todas as provas, incluindo mensagens e comprovativos;
- Apresentar queixa junto das autoridades, como a PSP, GNR ou Polícia Judiciária;
Como prevenir burlas através do MB Way:
- O MB Way nunca pede códigos para receber dinheiro, sublinha a DECO PROteste. O processo é automático, sendo que qualquer pedido de interação (links ou códigos) para receber um pagamento é burla.
- A conta bancária é pessoal e intransmissível, pelo que nunca se deve adicionar contactos de desconhecidos no multibanco, nem seguir instruções telefónicas de estranhos para “configurar” a aplicação.
- Caso se receba dinheiro por engano, deve-se falar primeiro com o banco antes de qualquer ação e nunca devolver o montante manualmente para um número de telemóvel, sob risco de ser cúmplice de lavagem de dinheiro.
Mas este não é um caso isolado, com a associação a alertar que os esquemas associados ao MB Way estão em constante evolução, explorando diferentes funcionalidades da aplicação e comportamentos dos utilizadores. Um outro exemplo é o uso da funcionalidade “Pedir dinheiro” com mensagens enganosas que simulam confirmações de pagamento – como “MB WAY: Recebeu uma ordem de 150€. Introduza o PIN para confirmar o depósito” -, levando as vítimas a introduzir o PIN e, inadvertidamente, a transferir dinheiro para os burlões.
“Embora o MB Way seja um sistema seguro, é frequentemente utilizado em esquemas de burla baseados em engenharia social. Por isso, deve estar particularmente atento e seguir boas práticas de segurança antes de responder a qualquer mensagem suspeita”, aponta a DECO PROteste.














