Roupa em segunda mão consolida-se como alternativa à “fast fashion” e muda o retalho global

FacebookNotícias
Marketeer
04/02/2026
11:00
FacebookNotícias
Marketeer
04/02/2026
11:00


Partilhar

A compra e venda de vestuário em segunda mão deixou de ser um hábito marginal para se afirmar como um dos motores de transformação da indústria da moda. Num contexto marcado pela inflação, pela pressão ambiental e pela mudança de valores dos consumidores, o mercado da revenda cresce a um ritmo que começa a rivalizar com o da fast fashion, obrigando marcas e retalhistas a repensar estratégias.

Dados recentes da Statista indicam que o mercado global de roupa em segunda mão e revenda atingiu, em 2025, um valor estimado de 256 mil milhões de dólares, o que corresponde a cerca de 225 mil milhões de euros. As previsões apontam para um crescimento consistente nos próximos anos, podendo alcançar cerca de 323 mil milhões de euros até 2029, um aumento superior a 90 mil milhões de euros em apenas quatro anos.

Este crescimento ocorre num momento em que outros segmentos do vestuário mostram sinais de desaceleração. A roupa usada passa, assim, a competir diretamente com as coleções novas, não apenas pelo preço, mas também pela narrativa associada à sustentabilidade, exclusividade e consumo responsável.

Entre os principais fatores que explicam esta mudança está a crescente consciencialização ambiental, sobretudo entre as gerações mais jovens, que associam o modelo de fast fashion à sobreprodução e ao desperdício têxtil. A estes motivos junta-se a pressão sobre o poder de compra: num cenário de aumento generalizado dos preços, a revenda permite aceder a marcas reconhecidas a custos mais reduzidos.

A expansão de plataformas digitais especializadas desempenha igualmente um papel central. Aplicações e marketplaces dedicados à moda em segunda mão tornaram o processo mais simples, transparente e global, contribuindo para normalizar socialmente o uso de roupa usada, hoje encarada como uma escolha informada e até aspiracional.

Perante este cenário, o modelo tradicional de fast fashion enfrenta desafios crescentes. A perda de consumidores mais jovens, a erosão da reputação ambiental e a maior pressão regulatória em mercados como o europeu são alguns dos fatores que colocam em causa a sustentabilidade deste modelo a médio prazo.

Em resposta, várias marcas começaram a integrar a revenda nos seus próprios canais, através de programas de recompra, venda de artigos pre-loved ou incentivos em crédito de loja. O objetivo passa por manter o controlo sobre o ciclo de vida dos produtos e reforçar a ligação com consumidores mais atentos às questões éticas e ambientais.




Notícias Relacionadas

Ver Mais