A transformação digital tem moldado profundamente o setor das telecomunicações, especialmente no que diz respeito à conectividade em viagem. A Portugal Internet, empresa portuguesa focada em oferecer acesso à internet para turistas em território nacional, identificou uma nova oportunidade de mercado ao observar uma tendência crescente: a procura global por soluções simples, digitais e eficazes. Foi assim que, no final de 2024, nasceu a eSIMpass, uma evolução natural do negócio original, agora com ambição global.
Por Sandra M Pinto
Nesta entrevista, falamos com Paulo Ferreira, CEO da eSIMpass, sobre a transição estratégica da Portugal Internet para a eSIMpass, os desafios da internacionalização, as principais aprendizagens acumuladas ao longo de 10 anos de operação, e o futuro de um setor que caminha a passos largos para a adoção generalizada dos cartões eSIM. Uma conversa sobre inovação, visão estratégica e como uma ideia local pode ganhar tração global.
Como surgiu a ideia de evoluir da Internet Portugal para a eSIMpass?
Este produto nasceu no final de 2024 como uma expansão natural da empresa Portugal Internet. A Portugal Internet prestava apenas serviços a turistas que visitavam o nosso país, pelo que percebemos que havia aqui uma oportunidade de negócio. Assim, a eSIMpass, destina-se a clientes de todo o mundo, independentemente do país de origem ou destino. Podemos afirmar que esta é a internacionalização de um negócio português que nasceu há precisamente 10 anos.
Que aprendizagens do projeto anterior foram fundamentais para o lançamento da nova marca?
A importância em saber ouvir o cliente e a aposta na inovação contínua para manter a marca relevante e competitiva.
O que motivou a mudança de foco para um modelo global baseado em eSIMs?
Vivemos num mundo cada vez mais global, pelo que os negócios também devem começar a ser pensados à escala mundial. Além disso, as pessoas querem e precisam de estar sempre contactáveis e conectadas, e para isso procuram soluções mais práticas, eficientes e digitais. Acreditamos que esta é uma evolução natural do cartão SIM.
Como funciona, na prática, o modelo de negócio da eSIMpass?
A eSIMpass é uma empresa inovadora e apresenta preços competitivos e cobertura em todo o mundo. O modelo de negócio é 100% digital. Trabalhamos através de uma plataforma online, onde tudo acontece, e o principal trunfo é a criação de parcerias estratégicas com os principais operadores globais que nos permitem viabilizar e ampliar a cobertura dos nossos serviços. Do ponto de vista do cliente, o eSIMpass funciona de uma forma tão simples quanto o próprio cartão digital. O cliente escolhe qual o país de destino, escolhe a capacidade do cartão, que pode ir de 1 a 100GB e quando efetua a compra, sempre de forma digital, recebe automaticamente um e-mail com um QRcode e as instruções para ativação. E já está.
Quais são os principais benefícios dos cartões eSIM face às alternativas tradicionais de acesso à internet em viagem?
Como se trata de um cartão digital, a compra e instalação são praticamente automáticas. Não é necessário deslocações a lojas físicas, nem filas de espera, pelo que a rapidez e a eficácia são os principais atrativos. Além disso, deixam de existir preocupações com roaming e faturas indesejadas, mesmo que se partilhe a ligação à internet com outras pessoas ou aparelhos.
Como definem os preços e os pacotes para cada destino?
Os nossos preços e pacotes são definidos com base no destino e nas necessidades de dados do cliente. Os pacotes são definidos por país, ou por zona geográfica, e preços definidos em função da quantidade de GBs pretendida.
Há alguma parceria estratégica com operadores de telecomunicações locais?
Sim, estabelecemos acordos com múltiplas operadoras e esse é um dos fatores que nos permite ser competitivos em termos de preço e a nível técnico.
Atualmente, em que mercados a eSIMpass está a ter maior tração?
Apesar de estar a ser muito bem recebido em muitos países, podemos falar de um top 3 em termos de países de venda: Turquia, Estados Unidos e Suiça. Sobretudo, porque são países com valores de roaming muito elevados. Em termos de origem dos compradores, destacamos Estados Unidos e Europa.
Vender para 100 países em menos de um ano é impressionante — quais foram os principais desafios e como os superaram?
Os principais desafios passaram pela gestão das parcerias, que envolveram negociações complexas e acordos técnicos; a concorrência intensa, tanto de operadoras tradicionais como de empresas globais de eSIM, em que nos diferenciamos por ter um preço competitivo; e a educação do mercado, que ainda não está familiarizado com esta solução, e que exige investimentos em marketing e suporte.
Que estratégias estão a implementar para aumentar a quota de clientes portugueses, que atualmente representam 30%?
Estamos sobretudo a apostar em ações de comunicação, publicidade e marketing junto dos portugueses, para lhes demonstrarmos diretamente as vantagens dos cartões pré pagos digitais.
O eSIM está a tornar-se uma norma. Como veem esta tendência e de que forma estão a preparar-se para um mercado cada vez mais competitivo?
Vemos o eSIM como uma tendência natural, positiva e de futuro. Da nossa parte, estamos a apostar em soluções tecnológicas que simplifiquem a ativação e gestão de eSIMs ao mesmo tempo que oferecemos um serviço flexível, competitivo e com um forte apoio ao cliente.
Que percentagem dos vossos utilizadores já têm smartphones com suporte para eSIM?
Mais de 35% dos smartphones existentes já têm suporte para eSIM e entre os modelos novos lançados, acima de 70% já vêm com eSIM. Este crescimento demonstra que o eSIM mais do que uma tendência, está a tornar-se padrão.
Como garantem que a experiência de instalação e utilização seja simples para qualquer perfil de utilizador?
Trata-se de um processo muito simples e intuitivo, e o envio do QRCode é sempre acompanhado por instruções de ativação”. Contudo, em caso de necessidade, investimos num suporte técnico que está disponível para esclarecer qualquer dúvida
Como têm comunicado este serviço ao público nacional e internacional?
O foco tem sido a comunicação digital e direcionada, uma vez que tratando-se de uma compra digital, esta é a melhor forma de incentivarmos a realização da compra na hora.
Têm apostado mais em performance marketing, parcerias, influenciadores ou outro tipo de canais?
Precisamente esses canais, onde podemos lançar a necessidade e apresentar a solução, com compra imediata.
Qual foi a campanha ou ação de marketing mais eficaz até agora?
Ainda estamos numa fase inicial, mas até ao momento, as campanhas mais eficazes têm sido as realizadas através do Google e do Facebook, onde conseguimos alcançar o nosso público-alvo e medir os resultados.
Estão a crescer a dois dígitos qual é a vossa projeção de crescimento para os próximos 12 meses?
A curto prazo queremos continuar a crescer de forma sustentada e ampliar a base de clientes.
Estão a planear levantar investimento externo ou manter o crescimento com capital próprio?
Pretendemos manter um crescimento sustentável, recorrendo a capital próprio. Esta abordagem permite-nos preservar a autonomia na tomada de decisões e garantir um desenvolvimento sólido e alinhado com os nossos valores.
Quais são as funcionalidades ou serviços que gostariam de lançar a seguir?
Temos o objetivo de evoluir para soluções B2B personalizadas, nomeadamente para os segmentos de turismo, negócios e conectividade corporativa.
Como imaginam a eSIMpass daqui a três anos?
Como líder de mercado em Portugal e ganhar projeção no mercado internacional.
Consideram que o modelo de eSIM vai substituir totalmente os SIMs físicos num futuro próximo?
Acreditamos que os dados se vão inverter. Ou seja, a regra será o eSIM e os cartões físicos a exceção.
Que papel pode Portugal assumir no desenvolvimento de soluções tecnológicas para viajantes globais?
Portugal tem todas as condições para assumir um papel relevante. Conta com talento qualificado e um ecossistema tecnológico em crescimento. Além disso, a experiência no setor do turismo coloca o país numa posição privilegiada para criar soluções digitais que respondam às necessidades do viajante moderno.













