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O que vai mudar no consumo de media no futuro

NotíciasOpinião
Marketeer
22/10/2023
19:12
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Por Vítor Dourado, Chief Investment Officer do Havas Media Group Portugal

O futuro do consumo de media está a ser moldado a um ritmo muito acelerado e, com a evolução constante dos serviços de streaming, as inovações na publicidade digital e a ascensão do áudio, 2024 irá certamente testemunhar mudanças significativas no sector. As questões são muitas e as respostas meramente especulativas, mas é certamente interessante teorizar sobre o futuro de um panorama que junta hoje mais alternativas do que nunca.

Quando pensamos no padrão do consumo diário, os motores de busca e as redes sociais continuam na liderança, mas podemos estar a assistir a uma nova tendência onde as últimas tendem a roubar algum espaço às primeiras com as plataformas sociais a serem cada vez mais vistas como um motor de busca do consumidor para contactar com as marcas e, inclusive, estabelecer a relação total com as mesmas neste espaço. Com o consumidor a procurar um contacto facilitado, o social commerce tem potencial para monopolizar cada vez mais os utilizadores e o próprio retail media poderá vir a ocupar parte deste território, cobrindo o funil de conversão desde a pesquisa até à compra.

Também no que se refere ao entretenimento, um aspecto que tem ganho cada vez mais relevância na indispensabilidade dos media para os consumidores, as redes sociais continuam certamente a marcar liderança nas preferências do público, com os serviços de streaming a ganhar também uma crescente pujança no paradigma dos meios de comunicação. A preferência pelo streaming on-demand continua uma tendência em crescente evolução, com cada vez mais espectadores a optar por experiências de conteúdo personalizado onde o consumidor vê o que quer, quando quer. Mas as plataformas de streaming não são apenas o futuro do entretenimento, estão igualmente a tornar-se fortes actores no mundo da publicidade. À medida que continuam a acumular dados sobre o comportamento e as preferências dos utilizadores, desafiarão as plataformas de publicidade tradicionais, oferecendo opções mais personalizadas e eficazes.

O Playce é um exemplo da eficácia desta publicidade mais direccionada e está preparada para ser um dos maiores factores de mudança do paradigma no próximo ano. Trazendo a possibilidade de publicidade segmentada para a televisão, a plataforma permite ao anunciante garantir que o seu anúncio é apresentado num intervalo exclusivo, sem possibilidade de avançar, antes da visualização de um programa seleccionado pelo espectador.

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Este novo formato publicitário em televisão espelha as funcionalidades de segmentação avançada do ambiente digital, possibilitando às marcas que seleccionem o tipo de audiência e conteúdos a que estão associadas, os horários, a localização geográfica, entre outros aspectos, culminando numa publicidade altamente direccionada e uma estratégia mais eficaz e com maior retorno de investimento. Esta segmentação é conseguida através de análise de dados avançados, um aspecto cada vez mais relevante e algo que promete modificar o panorama da publicidade à medida que se percebe que a publicidade direccionada é mais eficaz que a publicidade tradicional.

Não obstante, perante um contexto no qual os consumidores procuram a contenção de custos extra, os serviços gratuitos ou com desconto de streaming de TV suportados por anúncios têm vindo também a ganhar mais espaço. Os chamados canais FAST (Free Ad-Supported Streaming TV) oferecem aos espectadores uma infinidade de conteúdos gratuitos em troca de anúncios, num processo semelhante à televisão aberta, mas em formato de streaming. O desafio para estes canais será equilibrar o rácio dos anúncios com a satisfação da experiência do espectador, para que não exista uma saturação face ao conteúdo propriamente dito.

A ascensão das Connected TV’s (CTV) e das opções Over-the-top (OTT) tem também criado uma maior competição com os canais de TV tradicionais e os canais por cabo, o que tem levado ao fenómeno conhecido como “cord-cutting”, ou seja, a tendência crescente para os clientes cancelarem as suas assinaturas tradicionais de cabo e satélite em favor da utilização exclusiva destes formatos de streaming ou Vídeo-on-demand (VOD).

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À medida que estas alternativas ganham proeminência, os canais tradicionais de televisão aberta terão de se adaptar e inovar para manter a sua audiência e combater a tendencial perda de quotas. O grande desafio para estes canais free to air, será apostar em inovação e qualidade de conteúdos para fazer frente a catálogos mais vastos nas plataformas de streaming. O lançamento de canais FAST por parte da Impresa e da Media Capital, além de outras soluções OTT que disponibilizam aos consumidores, são exemplos desta aposta. Nada que não tenha sido já feito por outros meios como a rádio, cuja morte já foi anunciada inúmeras vezes, mas que tem tido a capacidade de se reinventar e aproveitar as tendências, como a ascensão do áudio, para voltar à corrida.

Com audiências crescentes e níveis recorde de consumo, a indústria da rádio tem vindo a adaptar-se à paisagem em mudança, tirando partido das tendências crescentes no consumo de conteúdos audiovisuais e na aposta para tecnologia e equipas especializadas, com estações a contratar inclusive criadores de conteúdos para enriquecer e adaptar conteúdos para várias plataformas. Na verdade, todas estas plataformas de consumo podem potenciar-se umas às outras: muitos dos podcasts que têm ganho interesse junto dos ouvintes e que passam a ser transmitidos em plataformas de streaming são originários de programas de televisão ou parcerias com a rádio, pelo que os media tradicionais devem olhar para o panorama actual e perceber as oportunidades de se adaptar e tirar partido do crescimento destas plataformas.

O mesmo se passará com a imprensa escrita. A ascensão da presença dos jornais nas redes sociais une-se ao crescimento sólido da imprensa digital alimentando cada vez mais o ecossistema da informação digital e a imprensa em papel vai-se mantendo no cenário com algum esforço. Será interessante observar, num panorama onde as grandes tendências são o vídeo e o áudio e onde o entretenimento ganha força no que toca às preferências dos consumidores nos media, qual será o papel da imprensa nesse futuro e se terá a mesma capacidade para se reinventar num contexto competitivo onde a oferta é cada vez maior e dinâmica.




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