What now?

Por Paulo Campos Costa, director coordenador global de Marca, Marketing e Comunicação da EDP

Começámos 2020 com as nossas resoluções do costume, com aquela esperança de que, pelo menos, não fosse pior que o ano anterior. Só que, em poucos meses, 2020 mostrou a pés juntos e sem grandes contemplações ao que vinha. E nem nos nossos sonhos mais ousados esperávamos algo tão distópico, ao ponto de parecer que fomos teletransportados para um episódio de Black Mirror, como protagonistas de uma espécie de piada cósmica de mau gosto.

Neste ano – que ainda vai a meio, mas onde já aconteceu tanta coisa que parece termos vivido vários anos num só – continuamos a existir na incerteza, com a sensação de que a factura virá com sequelas profundas, algumas irreparáveis. De repente, fomos todos obrigados a entrar numa espécie de experiência social forçada, enquanto somos invadidos pela sensação de parecermos bolas de loto na tômbola do universo ou presas de um sniper invisível. Fazemos o possível para continuar a viver dentro da normalidade, mas o novo normal sequestrou a nossa realidade.

Em vez de “What if?” a pergunta é “What now?”

Sabemos que a mudança é a única constante na vida e que a dúvida, a insegurança e o medo são sentimentos frequentes que nos atingem quando não sabemos o que está para vir. Mas a energia de 2020, por mais que procuremos (e bem) alternativas, não será a mesma que nos anos anteriores. Sentimos que nos estão a roubar um ano da nossa vida e a deixar-nos um vazio impossível de preencher pelas plataformas digitais, que ganham terreno todos os dias e adquirem novos níveis de significado. Nada substitui o espírito de comunhão que vivemos com amigos e milhares de desconhecidos num festival de Verão ou numa maratona. Momentos inesquecíveis onde a boa energia das pessoas e das Marcas é contagiante.

Já estamos fartos de tanto isolamento social. 2020, já que não podes saltar do calendário, consegues acelerar e levar-nos de volta para o mundo dos afectos e partilha e devolver-nos os pequenos prazeres na vida, como dar um simples aperto de mão, um abraço, um beijo, sem medo? Permites que comemoremos as datas importantes com os nossos amigos sem os nossos sorrisos ficarem apagados por máscaras? Consegues ainda resgatar-nos do caminho que nos tem tornado seres mais distantes e assustados, para podermos voltar a misturar-nos com uma multidão e voltar a vibrar em eventos que nos deram tantas boas memórias e alegrias ao longo dos anos?

Vá lá, dá-nos o antigo normal e prometemos que não falamos mais nisto.

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