Web Summit: “Estamos todos viciados em social media”

O tema “The dangers of social media addiction are greatly exaggerated” juntou, no palco Future Societies, no formato de debate David Schneider (That Lot) e Brendan Kane (SEAkers) com moderação de Sam Biddle (The Intercept).

David Schneider confessou que adora os social media, mas que está viciado. Os social media permitem ligar as pessoas, proporcionam que desconhecidos conheçam a sua cara metade e dão palco a novos talentos, justificou. «Imagninam o mundo sem a Adele que se apresentou no MySpace?», questionou a audiência. São também as redes sociais que amplificam movimentos – como o recente #metoo – que permite o empowerment de comunidades, garantiu sem esquecer também a capacidade de difusão de informação de tragédias locais que se tornam do conhecimento global em muito pouco tempo.

Do outro lado do debate, Brendan Kane assegurou que as plataformas são desenhadas para ser viciantes e os utilizadores não têm noção disso. «Quando estamos no Instagram a descer no feed, o que procuramos são recompensas. Estas redes estão desenhadas para continuarmos a procurar a próxima peça de conteúdo e fazem-no integrando nas suas equipas behaviour scientists», assegura. O que se procura é preencher o sentimento de validação e de pertença a um grupo de cada individuo. Mas Brendan Kane vai mais longe: «Tal como as drogas não preenchem o vazio, o mesmo acontece com as redes sociais. Dão um pequeno alívio, mas obrigam-nos a voltar e a voltar…»

Em resposta àqueles que questionam se são perigosas, o mesmo profissional lembra que um em cada quatro acidentes de viação nos EUA acontece por as pessoas estarem a mexer no telemóvel. Neste país, 58% dos condutores admite que escreve no telefone enquanto conduz, apesar de conhecerem as estatísticas das causas de acidentes.

Brendan Kane reconhece que as redes sociais ligam o mundo, mas acredita que há que garantir que são usadas para o bem e não para o mal. «E obviamente há quem esteja a usá-las para manipular os outros.»

David Schneider lembrou que há outras actividades que também causam algum tipo de adição quando são usadas de mais e que a sociedade não as encara como negativas. É o caso do desporto e a adrenalina que provoca. «Quando a imprensa apareceu também foi acusada de pôr toda a gente a pensar o mesmo. E na verdade também a imprensa pode ser usada para o bem e para o mal», lembra.

Texto de Maria João Lima

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