Tomás Froes: «O mais importante é que esta mudança provoque uma disrupção comportamental»

O que ficará depois deste “buraco negro” do novo coronavírus? Que marcas iremos ter? E como é que passarão a estar e a comunicar? Não sendo possível qualquer previsão clara e certa, fomos, contudo, tentar perceber de que forma é que algumas das maiores empresas e marcas em Portugal estão a reagir e como esperam sair do momento mais crítico de todos os tempos, a nível mundial. Vamos todos dar a volta?

Tomás Froes, founder da Partners

O que está a ser feito, neste momento, para que a sua marca não perca relevância? E depois deste “buraco negro”, a sua marca será a mesma?

#Hope

Há muito tempo que estávamos confortáveis com uma verdade absoluta – de que vivíamos numa era de constante transformação. Estávamos, de facto, iludidos. Agora sim, estamos a falar de disrupção. Estamos verdadeiramente a sentir o que são modelos, operações e recursos humanos que têm de ser estruturalmente adaptados a um contexto que muda à velocidade do dia, do minuto, do segundo.

E neste contexto, que é ainda desconhecido para todos, as marcas vêem a sua relevância ser medida, criticada ou elogiada da mesma forma de sempre: que pertinência, valor e diferença podem oferecer aos seus clientes, cidades, países e Mundo!

Os critérios estão hoje naturalmente condicionados pela hierarquia das necessidades. Há marcas que são mais solicitadas pela natureza do seu negócio (distribuição alimentar, farmacêuticas, telcos, banca, energia, delivery services, plataformas digitais) mas que, e por isso mesmo, devem estar ainda mais atentas à situação excepcional que atravessamos e apresentar soluções, ofertas e condições mais altruístas. As outras terão de encontrar formas para se manterem na mente das pessoas, sendo que o principal driver deve ser o de actuar pelo bem comum. Por um bem maior.

E nós, agências, que sempre tivemos como principal papel potenciar as boas ideias de negócio das marcas, e apresentá-las ao mercado, devemos continuar a fazê-lo porque nada muda nas fundações desta relação. Mas neste período de “casa, trabalho em casa, casa” tudo o resto é radicalmente diferente. Começando pelo critério, uma agência tem de ser ainda mais incisiva, determinada e assertiva. A criatividade tem de ser entregue com um enorme sentido crítico. Os recursos de produção são “bens” escassos. Não há o luxo do tempo, do brainstorming cara a cara, da maturação, das várias interacções com o cliente, das inúmeras possibilidades de produção. E temos os nossos filhos como “colegas” de trabalho a circular nas instalações improvisadas de cada um.

Será a eficiência desta gestão que ditará a eficácia das nossas ideias. E perceber que não podemos estar num modo “sleep”, como inicialmente poderíamos pensar, mas sim perante um “restart”, e isso sim poderá fazer toda a diferença.

Uma coisa é certa, nada será o mesmo depois desta jornada. Isto é transversal à sociedade e humanidade. As vontades, desejos, necessidades, critérios e comportamentos das pessoas vão mudar. E, por consequência, terá de haver uma grande mudança por parte de todas as indústrias. Para as marcas e agências idem.

Mas o mais importante é que esta mudança provoque em todos nós uma verdadeira disrupção comportamental. Se um vírus é, por definição, um fluido venenoso, tenho esperança que este possa vir a ser, no futuro, um fluido benévolo que nos contamine com as coisas boas da vida, com as coisas que hoje voltámos a viver e a que ainda ontem não dávamos muita importância.

Li algures que há esperança que os golfinhos voltem a nadar nos canais de Veneza. É um desejo que a humanidade está a pedir à Natureza, um sinal que se todos fizermos a nossa parte podemos “escolher a esperança em vez do medo”.

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