Tenhamos juízo!

M.ª João Vieira Pinto
Directora de Redacção Marketeer

No dia em que escrevo este Editorial, a DGS prepara-se para recuar nas medidas de desconfinamento para Lisboa.

No dia em que escrevo este Editorial, tenho agendado um jantar com duas amigas. Duas! Aliás, vamos às sardinhas, em tradição que se mantém e, para a manter como tal, até era para ser onde tão bem estivemos há dois anos – 2020 foi mesmo em formato confinado! Era para ser, mas não, que o restaurante que conhecíamos e nos recebia fechou. E não, não reabre. Este e outros. Centenas, talvez milhares? Já para não falar no comércio, que entretanto iniciou ainda mais cedo do que nunca descontos e promoções para tentar escoar stock de um novo Verão que, pelo menos nas caixas registadoras, não chegou com grande calor. Em Janeiro, já se contabilizavam em 30 mil as micro e pequenas empresas, sem acesso ao lay-off simplificado, que requisitaram a ajuda do Estado.

No dia em que escrevo este Editorial, sinto um misto de orgulho e tristeza. De um povo que continua a elevar-se ao escalão dos melhores – o jogo Portugal-Hungria ainda não foi há 24 horas –, mas que continua a reger-se tantas vezes por patamares de mediania.

Se eu gosto de festas? Claro que sim! Se gosto de estar com amigos? Não gosto, adoro. Se gosto de sair e dançar? Fazem parte de mim! E não imaginam o quanto a falta de tudo isto me tem custado.

Festas, não me recordo da última. Com amigos, claro que tenho estado, mas em número reduzido e, acreditem, controlado. Sair e dançar, já não sei bem o que isso é e dou por mim quantas vezes a saltar em casa ou a parar o carro e a dançar com a minha filha ao som da música que vem do rádio. Viagens, fiz duas. Com máscara e testes e distanciamento.

E, sim, claro que às vezes também me esqueço do estado em que ainda estamos e que já não queremos. Mas não ao ponto de ir para a rua juntar-me em arraiais, sem máscara nem distanciamento. Não ao ponto de me sentar à mesa com 50, sem máscara nem distanciamento. Não ao ponto de me “entregar” em festas ou eventos de centenas, sem máscara nem distanciamento.

Tem que haver vida para além da Covid.

E eu sou das primeiras a querê-la e a procurar tê-la. Mas tenhamos, também, mais juízo e responsabilidade.

Porque, sabe o que acontece a grandes marcas que enganam e desiludem os consumidores? Caem abruptamente e tantas, mas tantas vezes, morrem. O nosso País é uma grande marca. Não afundemos mais quem já está só com meia cabeça de fora! Não assinemos a sentença de morte!

Editorial publicado na revista Marketeer n.º 299 de Junho de 2021

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