«Temos o dever de passar uma mensagem de confiança»

A segunda vaga da pandemia de COVID-19 chegou de rompante e tem obrigado os Governos europeus a tomarem medidas drásticas e imediatas para conter os efeitos sócio-económicos da crise. O Mundo está em suspenso à espera de vacina que tarda em chegar. Na linha da frente da investigação e combate à pandemia, a indústria farmacêutica tem de ser também a primeira a transmitir uma mensagem clara de confiança e segurança. «Temos o dever de passar uma mensagem de confiança, de que a cadeia de abastecimento de medicamentos e produtos de saúde se mantém e está íntegra. Temos de transmitir a confiança de que o sistema de saúde está a funcionar e está coeso», dizem os participantes no mais recente pequeno-almoço debate do sector promovido pela Marketeer.

Rui Rijo Ferreira e Manuel Barros (Foto de Paulo Alexandrino)

De acordo com os participantes, este esforço ao nível da comunicação e do discurso tem, de uma forma geral, sido encetado por parte de toda a indústria farmacêutica – e não apenas por parte das empresas que estão directamente envolvidas no desenvolvimento das vacinas – e de todos os organismos ligados à área da Saúde. Têm-no feito sobretudo através do digital – um meio que não era tão explorado antes da pandemia – , que permite uma comunicação mais directa, concisa e com uma «cadência muito maior». «É fundamental para tentarmos que a confiança do consumidor não seja tão abalada», frisam.

Não obstante esse esforço, a verdade é que as notícias sobre o desenvolvimento e lançamento das vacinas «têm sido um pouco inconstantes e intermitentes», além de todas as fake news que adensam a névoa de dúvida sobre este tema. Nesse sentido, exige-se total transparência e coordenação por parte de todo o sector, sobretudo no que diz respeito aos timming das vacinas: «A mensagem tem de ser totalmente transparente acerca das fases em que estes processos estão. Porque se anunciarmos uma vacina para Janeiro de 2021 e chegarmos a essa data e não houver nada, o consumidor não vai perceber. Tem que haver muita transparência e coordenação na forma como se faz essa comunicação», reforçam os responsáveis.

Sónia Ratinho e Vera Grilo (Foto de Paulo Alexandrino)

À volta da mesa, confirma-se as notícias que têm vindo a lume, ou seja, que as vacinas vão surgir «no início do próximo ano» e «praticamente todas ao mesmo tempo», porque actualmente as empresas farmacêuticas partilham muita informação e investigação entre si. E que vão fazer exactamente aquilo que está a ser descrito neste momento, ou seja, o vírus vai passar a ser endémico e «vamos aprender a viver com ele.»

Manuel Barros (Generis), Rui Rijo Ferreira (Jaba Recordati), Sónia Ratinho (Laboratórios Azevedos) e Vera Grilo (Medinfar) foram os responsáveis que estiveram presentes no pequeno-almoço debate organizado pela Marketeer. O encontro decorreu no hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa, cumprindo todas as regras de segurança e higiene.

O artigo será publicado na íntegra na edição de Novembro de 2020 da revista Marketeer.

Texto de Daniel Almeida

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