Superliga Europeia: quais os desafios para as marcas?

O anúncio da criação da Superliga Europeia apanhou o mundo do futebol de surpresa. Trata-se de uma competição com 12 clubes fundadores (até à data), de países diferentes, que surge como oposição à UEFA Champions League. A notícia não foi bem recebida pela UEFA (nem pelos adeptos), que promete sanções aos ”Dirty 12”, nomeadamente a exclusão das competições com a sua chancela. E quanto às marcas, que consequências podem surgir?

Ao London News Time, Joel Seymour Hyde, managing director da agência de desporto londrina Octagon, afirma que os clubes que participarão nesta Superliga (que deverão receber, anualmente, cerca de 350 milhões de euros) não terão problemas em cativar jogadores. Mas conseguirá a Superliga Europeia cativar as marcas?

«A curto-médio prazo, é improvável que esta competição seja vantajosa para as marcas», afirma Joel Seymour Hyde. Uma vez que os fãs olham para esta competição de forma negativa, as marcas poderão ficar reticentes quanto à associação à Superliga, sob pena de saírem lesadas devido a eventuais boicotes dos adeptos a esta novidade. Em oposição, explica que a conjugação de marcas premium, milhões de telespectadores e futebol de qualidade proporcionado pela UEFA Champions League é extremamente competitiva e aliciante para qualquer marca no mundo.

Mas uma das premissas da Superliga é exactamente o futebol de qualidade,  possibilitando aos adeptos grandes jogos com maior frequência e a hipótese de assistir a um Real Madrid vs Manchester City, por exemplo, todos os anos, ao invés do que acontece na UEFA Champions League, onde estas equipas estiveram cinco anos sem se defrontar.

No entanto, Matt Reedman, Chief Strategy Officer da Dark. Hose, afirma ao Londow News Today que o aumento do número de jogos entre os maiores clubes seria controverso numa perspectiva comercial. «Se o Manchester United e o Real Madrid defrontarem-se todas as semanas, o produto normaliza-se», afirma, perdendo assim a emoção que se verifica quando estas equipas se defrontam na UEFA Champions League. E, com menos entusiasmo, menor será o interesse dos adeptos e, consequentemente, das marcas.

Há ainda outras questões a apurar, nomeadamente no que diz respeito às empresas que adquiriram os direitos de transmissão da UEFA Champions League. Caso se concretize a ameaça de Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, de expulsar os “Dirty 12” da Liga dos Campeões, o interesse nesta competição irá decrescer. Para se ter uma noção, dos 10 melhores clubes europeus, sete deixariam de participar na UEFA Champions League, em cujas equipas se incluem jogadores como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

Por último, comparemos os números. Os patrocínios anuais da UEFA Champions League ascendem aos 370 milhões de euros, oriundos da Gazprom, Santander, Heineken, Sony, PepsiCo, Nissan Expedia Group e Mastercard. Por outro lado, ao The Guardian, um porta-voz do JP Morgan afirma que o banco norte-americano será um dos investidores da Superliga Europeia. Quanto ao valor, o número apontado tem sido de 3,5 mil milhões de euros. A diferença é colossal, mas será suficiente para atrair mais players para esta competição?

Por enquanto, as marcas observam e analisam todas as possibilidades, ficando a dúvida se se trata de uma boa oportunidade ou, por outro lado, se correm o risco de sofrer consequências negativas com esta associação.

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