O Facebook dificilmente seria o mesmo sem Sheryl Sandberg. Foi esta a opinião expressa por analistas e executivos de várias empresas quando, em junho de 2022, souberam que a então diretora de operações da Meta se preparava para deixar o cargo no outono desse ano.
Sandberg ingressou na rede social em 2008, numa altura em que ainda era apenas uma startup, com receitas abaixo dos 800 milhões de dólares. Antes disso, exerceu funções como vice-presidente de Vendas e Operações Globais de Produtos Online na Google, entre 2001 e 2007, período durante o qual a sua equipa passou de quatro para quatro mil colaboradores.
Ao entrar na nova empresa, alertou o fundador, Mark Zuckerberg, para o potencial do mercado publicitário e para a importância de utilizar a imensa quantidade de dados registados diariamente na plataforma.
As suas propostas convenceram por completo o jovem empreendedor, que confiou a Sandberg a tarefa de rentabilizar a vasta base de utilizadores do site. Ao longo de 13 anos, a empresa gerou receitas publicitárias no valor de 100 mil milhões de euros.
A sua visão empresarial não só ajudou o Facebook a tornar-se numa das empresas com maior capitalização bolsista em Wall Street, como também influenciou profundamente a forma como outras empresas passaram a encarar o marketing digital, levando os seus dirigentes a dar maior peso ao ambiente online.
Para estabelecer relações e compreender as necessidades do setor, Sandberg organizava jantares sumptuosos na sua residência em Menlo Park, onde ouvia atentamente os executivos presentes.
Com o aumento do valor de mercado do grupo tecnológico, também a fortuna pessoal de Sandberg foi crescendo. Em 2014, entrou para o restrito grupo de mulheres bilionárias da época, sendo ainda uma das mais jovens a atingir esse marco, com apenas 44 anos.
O ordenado não foi o principal motor da sua fortuna: começou com um salário anual de 300.000 dólares, que chegou aos 875.000 dólares ao longo dos anos. O grande impulso financeiro veio da posse de 38 milhões de ações do Facebook, que a tornaram bilionária quando a empresa entrou em bolsa, em maio de 2012.
Em 2018, rebentou o escândalo da Cambridge Analytica, relacionado com a utilização indevida de dados pessoais de dezenas de milhões de utilizadores do Facebook para fins políticos, sem o seu consentimento.
Esta crise teve um forte impacto sobre Sandberg. Numa reunião interna, Zuckerberg chegou mesmo a responsabilizá-la pelo sucedido. O conselho de administração foi igualmente criticado por não ter antecipado os riscos associados ao modelo de negócio por ela idealizado, que privilegiava as receitas publicitárias em detrimento da privacidade dos utilizadores.
Sandberg foi a primeira responsável a prestar esclarecimentos perante o Congresso dos Estados Unidos e viu-se envolvida em outras polémicas, como a alegada ordem para investigar as finanças pessoais de George Soros, após este ter criticado o modelo de negócio do Facebook.
Este episódio marcou o início do declínio da sua liderança, que terminou com a publicação de uma carta emotiva onde afirmava ser “tempo de escrever o próximo capítulo da minha vida”. Deixou a empresa com uma compensação de 33,4 milhões de dólares.














