Será a acessibilidade digital assim tão cara quanto isso?

Texto de Ruben Ferreira Duarte, UX/UI designer na Innovagency

Nos tempos (muito desafiantes) que as marcas e os criativos vivem, o digital é algo incontornável nas nossas vidas. Nada de novo. Esta é uma verdade muito clara do nosso quotidiano. Poucas pessoas imaginam, se é que isso é possível, como seria a economia sem todos os benefícios e mais-valias que a “transformação digital” trouxe ao mercado.

Contudo, a “digitalização” das nossas vidas, trouxe consigo também um conjunto de desafios muito alargado. Por entre esses desafios, que são para as marcas e para os criativos mais ou menos claros, a acessibilidade digital – ou a possibilidade de qualquer pessoa, independentemente das suas limitações físicas ou psíquicas, aceder a uma informação ou serviço através de um interface digital – não se pode dizer que seja um tema recorrente. Não que não reconheçamos todos na área da comunicação a sua importância, mas sim porque é, de facto, uma temática rodeada de muitos mitos.

Por entre todos os mitos que se criaram à volta da acessibilidade, um dos mais relevantes mas também mais enganador é o de que ter um site adaptado às melhores práticas custa muito dinheiro às empresas.

Para desconstruir o falso mito do seu custo elevado, o primeiro desafio passa por perceber exactamente qual o impacto da acessibilidade no desenvolvimento de um site. É certo que resposta a esta questão pode ter vários graus de profundidade, mas numa versão mais simples é muito fácil concluir que é nas componentes de design e de código que a acessibilidade pode ter maior relevância, o que não significa forçosamente um encarecimento do projecto.

Existe uma ideia que tem que ser muito clara quando se fala desta temática. O essencial da acessibilidade resolve-se nas pequenas coisas que pouco têm que ver com grandes orçamentos ou projectos excessivamente complexos. Pequenas coisas sim, mas que no design e no código podem ter uma relevância imensa quando falamos de tornar os sites das marcas, nos quais excelentes equipas de criativos trabalham todos os dias, mais capazes para serem utilizados por qualquer tipo de pessoa independentemente das suas limitações.

Por exemplo, no design quantas vezes testamos os contrastes das nossas cores em diferentes tipos de ecrãs garantindo uma leitura aceitável em todos eles? Ou então no código, quantas vezes nos perguntamos o que aconteceria se um invisual tivesse que visitar o nosso site e utilizasse um leitor de ecrã para navegar?

Ainda um outro exemplo: quantas vezes durante o projecto de desenvolvimento de um site consultamos ou revisitamos as directivas de acessibilidade para o conteúdo da web? Consciente da importância da temática da acessibilidade, o consórcio W3C, responsável pela implementação de boas práticas na internet, desenvolveu um conjunto de orientações de acessibilidade, as WCAG. Estas orientações definem que os sites podem ser classificados segundo três níveis de conformidade: A, AA ou AAA. Toda a documentação está disponível online de forma gratuita e traduzida em vários idiomas.

Nenhum destes exemplos, por incrível que pareça, está relacionado directamente com orçamentos. Apesar disso, são muitas destas pequenas coisas que podem fazer toda a diferença na hora de um utilizador com algum tipo de limitação visitar o nosso site.

Então em que ponto está o seu site em termos de acessibilidade? Já tinha pensado nisto? Estará classificado com A, AA ou AAA segundo as WCAG? É muito fácil saber e, por incrível que pareça, também não custa absolutamente nada. Basta visitar uma ferramenta online gratuita como o Access Monitor da FCT, inserir o endereço de um site e perceber qual o tipo de classificação que ele obtém.

A acessibilidade é muito mais que uma parcela num orçamento. É uma ferramenta real que as marcas e os criativos têm de todos os dias construírem produtos e serviços mais inclusivos, numa era em que acreditamos que o conhecimento é cada vez mais um direito feito de, com e para todos.

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