40 anos em prol da literacia da estratégia e gestão

Foi no final da década de 70 que Luís Alves Costa, presidente e fundador da SDG, começou a utilizar nas suas aulas de informática – era professor no ISCEF, actual ISEG – um modelo de simulação empresarial muito simples. O sucesso foi enorme.

Por coincidência, pela mesma altura, numa conferência internacional, conheceu um professor escocês da universidade de Strathclyde, em Glasgow, que comentou que tinha um simulador de gestão.

O interesse foi imediato e ao descobrir que se tratava de algo muito mais evoluído do que aquele que usava nas aulas, acabou por firmar um contrato com exclusividade mundial para a utilização do simulador e criou o então Gestão Global, que mais tarde foi rebaptizado de Global Management Challenge (GMC).

Para assegurar a divulgação do projecto era necessário um parceiro de media prestigiante e de elevada reputação que ajudasse a garantir o seu sucesso. Foi quando Luís Alves Costa desafiou Luiz Vasconcellos e Francisco Pinto Balsemão, fundadores do Expresso, que aceitaram o desafio de imediato. Nascia a primeira parceria do GMC, a mais antiga do Grupo Impresa ainda em vigor e que, então, foi selada num já famoso aperto de mão.

A primeira edição da competição ocorreu em 1980, tornando a actual edição de 2019 na 40.ª edição do Global Management Challenge.

Após a primeira edição foi iniciado o processo de internacionalização, com o início da competição no Brasil, estando actualmente presente em 37 países. Hoje é reconhecida como a maior competição de Estratégia e Gestão do mundo com base num simulador empresarial. É o maior evento internacional baseado em simulações de negócios, nas quais mais de 650 mil estudantes universitários e colaboradores de empresas já participaram.

São quatro décadas a trabalhar para ser uma plataforma de desenvolvimento de competências e espalhar a literacia da estratégia e gestão, contribuindo para a aproximação dos estudantes universitários do mundo empresarial e ajudando as empresas a estar mais próximas das universidades, dando a conhecer as marcas e fazendo prospecção de talento.

Comemorar 40 anos

No âmbito da comemoração dos 40 anos do GMC, existem várias acções planeadas e têm vindo a preparar algumas novidades para dar relevo a esta data tão importante.

Em Portugal têm feito artigos, vídeos e estão a preparar um documentário com testemunhos de 40 personalidades ligadas ao GMC, onde se contam aventuras nacionais e internacionais. No percurso nem tudo foi fácil, houve momentos altos e de crise, mas que mostram a resiliência e a capacidade que o GMC foi tendo para se reinventar.

Para fechar o ciclo de comemorações dos 40 anos do GMC, a acção mais importante será a realização da próxima final internacional em Lisboa. Em Maio de 2020, as equipas vencedoras do GMC em todos os países participantes virão a Portugal disputar o título mundial do GMC.

No evento serão apresentadas as duas grandes novidades do ano, a renovação da imagem do GMC e a nova versão do simulador.

Para assinalar o seu 40.º aniversário, os responsáveis decidiram renovar a “cara” do GMC. Foi criada uma nova imagem baseada num conceito de modernidade, tendo em conta que se trata de algo baseado num software que se quer moderno e desafiante, no movimento e multiplicidade cultural, que tem em conta o DNA do GMC, derivado da sua dispersão geográfica e riqueza cultural trazida por participantes de todo o mundo.

A segunda grande novidade será a apresentação oficial da nova versão do simulador. O desenvolvimento tecnológico é para o GMC um grande desafio. Se, por um lado, o simulador tem de ter uma certa estabilidade, que representa a evolução gradual dos mercados, tendências e melhores práticas empresariais, por outro lado, deve evoluir a sua plataforma tecnológica para ser desafiante e apetecível para os participantes. É um equilíbrio que tentam conseguir ano após ano.

Esta nova versão tem como grande revolução o novo interface de utilização. «Digo revolução, porque trata-se, efectivamente, de algo totalmente disruptivo, tendo em conta o que existia. A experiência de utilização será totalmente diferente, muito mais imersiva e terá um look-and-feel muito mais moderno e empresarial», assegura João Matoso Henriques, managing director da SDG.

A interacção com o simulador será muito maior, toda a informação está agora integrada em dashboards baseados em demonstrações gráficas, customizáveis pelo utilizador, onde está também integrado o manual de utilização do simulador, simplificando muito a participação das equipas.

«Estamos muito felizes com o resultado final e temos de agradecer à Accenture Portugal, nomeadamente ao seu presidente José Gonçalves pelo apoio especial a este projecto, e à equipa de Digital da Accenture Interactive, que pensou e desenvolveu o novo conceito de user experience para o GMC. Mais uma vez, a Accenture mostra que não é por acaso que é o patrocinador mais antigo do GMC (começou ainda era Arthur Anderson) e que continua a acreditar neste projecto de características únicas em Portugal», sublinha.

O responsável acredita que é importante não esquecer «o papel importante que o GMC desempenha, ao permitir que, a partir dos 18 anos, estudantes universitários (cerca de 60% em média) e quadros das empresas, que queiram investir em si, sair da zona de conforto e aprender sobre o mundo das empresas, tenham uma plataforma preparada, pensada e testada para o desenvolvimento de competências. É uma ferramenta de aprendizagem muito eficaz para o desenvolvimento de hard skills de estratégia e gestão e poderosa para o desenvolvimento de soft skills, como a liderança, o trabalho em equipa, a gestão de conflitos, a gestão do tempo e a tomada de decisão sob pressão». Cria condições para a percepção dos participantes sobre a complexidade das organizações e a sua actividade num ambiente dinâmico e competitivo. Os participantes ficam com uma visão mais global do mundo dos negócios e percebem quais os parâmetros que mais influenciam o sucesso das organizações.

Um dos grandes desafios do GMC é a captação dos alunos, que cada vez passam menos tempo na universidade e que estão expostos a um crescente número de solicitações extracurriculares. A estratégia do GMC passa por uma forte presença nas universidades, com protocolos de cooperação para a utilização do simulador em competições privadas, nas aulas dos cursos, pós-graduações e MBA. Trabalham em conjunto com professores, a AIESEC, associações de estudantes, entre outros. Tentam também ter uma forte exposição nas redes sociais e estar presentes nos eventos mais relevantes para estar perto das universidades e dos alunos.

A relação com as empresas resulta do posicionamento no mercado, que é consequência do modelo de negócio do GMC. As equipas de estudantes não pagam, são patrocinadas por empresas que pretendem estar perto das universidades, por estratégia de posicionamento de marca ou por estratégia de recrutamento. Assim, comenta o responsável, «estamos constantemente a desenvolver contactos comerciais para captar o interesse do sector empresarial em participar no GMC, por forma a captar equipas de quadros para o desenvolvimento das suas competências e patrocinadores para as equipas de estudantes».

O GMC tem claro o objectivo de continuar a crescer. Quer consolidar os mercados onde já está presente, focando nos mercados de maior dimensão e de maior potencial de negócios e continuar a expansão internacional por geografias onde ainda não está presente. «Foco em mais países e mais participantes.»

João Matoso Henriques garante que na SDG estão todos muito orgulhosos da “viagem” que tem sido o GMC nas últimas quatro décadas, «mas sobretudo estamos muito conscientes dos desafios que nos esperam no futuro». Do lado da SDG garantem que têm uma equipa experiente, dedicada e motivada para continuar a desenvolver e a fazer crescer esta competição, de maneira que a sua missão continue muito para além destes 40 anos.

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