Rotina de compras muda em Portugal: chegou a contingência

O padrão de consumo em Portugal está a mudar. Dados apurados pela Kantar para a Centromarca revelam que nas semanas de 22 de Março a 5 de Abril, surgiu uma nova rotina de compras marcada pela contingência: os consumidores estão a optar por ir o menor número possível de vezes às lojas e a levar uma maior quantidade de produtos por compra. O objectivo é evitar a necessidade de regressar a um supermercado, por exemplo, nos dias seguintes.

Segundo Pedro Pimentel, director-geral da Centromarca, é «notória a alteração dos comportamentos dos portugueses com o facto de estarem a passar mais tempo em casa». O responsável aponta para o aumento do número de refeições, que tem implicações nos produtos escolhidos e na atenção que dão às mesmas.

Ao mesmo tempo, acrescenta Pedro Pimentel, «a vontade de ir às compras atenua-se com a crescente preocupação sentida com o evoluir da pandemia». Há uma semana, 81% dos portugueses mostrava uma preocupação elevada em relação à crise actual; hoje, este número sobe para 91%.

Na mesma medida, apenas 13,5% dos consumidores se mostra optimista e acredita que se regresse à normalidade até ao fim do corrente mês de Abril.

O mesmo estudo mostra que o tipo de produtos comprados também sofreu alterações: abrandou a compra de produtos de higiene e limpeza e verificou-se um maior gasto com o abastecimento alimentar.

«Num momento em que os portugueses estão privados de tempos de lazer e de socialização no exterior, ganham um particular destaque os produtos para se confeccionarem sobremesas, assim como as bebidas alcoólicas e a alimentação congelada, desde a carne às refeições prontas», nota Marta Santos, Manufacturers Sector sirector da Kantar.

Páscoa com menos chocolate

Pedro Pimentel aponta para uma Páscoa atípica, marcada não só pelo isolamento social mas também por mudanças no carrinho de compras. «Há segmentos de mercado tradicionalmente fortes nesta época que sofrerão um fortíssimo impacto. Chocolates, produtos de padaria e confeitaria, vinhos e bebidas espirituosas ou cosmética vão sentir os efeitos desta crise», antecipa o director-geral da Centromarca.

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