Revolução de Abril e a liberdade de um povo

Por Margarida Franco, responsável de Marketing da Flag

A rádio foi um meio decisivo para o êxito do 25 de Abril de 1974. Dia em que aconteceu a Revolução dos Cravos. Mas recuando no tempo, antes do dia D, a comunicação era decidida, vigiada e aceite ou não pelo Governo. A RTP – Rádio Televisão Portuguesa – era a única televisão existente no nosso País, mas eram poucos os que, na altura, tinham acesso à “caixinha mágica”.

Nos tempos que correm, é mobília essencial na casa da generalidade dos portugueses, mas há quase 50 anos era um luxo ter uma televisão. Como tal, a rádio era companhia de famílias, banda sonora de muitos namorados e motivo de encontro de grupos de amigos e comunidades.

A revolução de Abril teve uma importância gigante na comunicação. Foi um passo extraordinário para a vida que todos os portugueses conhecem hoje. A censura a que muitos chamam de “lápis azul” acabou com peças de teatro, manipulou muitas informações na rádio e nem sequer deixou ir para o ar programas de televisão.

Não se falava sobre tudo o que se queria ao telefone, nem se subia o tom de voz nos cafés. Vivia-se com medo do que se podia ou não dizer. A liberdade era praticamente nula e Pátria, Deus e Família eram os alicerces do Estado Novo, a famosa “Trilogia da Educação Nacional”.

Muitos foram os que sofreram neste regime e ainda hoje recordam os tempos difíceis de então, dando valor à liberdade alcançada.

Nos dias de hoje, alguém imaginava viver assim? Depois de toda a liberdade já conquistada? Como seriamos se não nos fosse possível pensar e dizer o que sentimos nas redes sociais, dar voz às nossas ideias nos nossos blogs, concretizar a nossa criatividade nas peças de design que desenvolvemos. Como seria a nossa comunicação? No online… No offline?

Com o mote de uma música passada na rádio, foi dado o sinal para o início de um novo Portugal. Um novo Portugal livre de uma ditadura, onde a população ficou livre para falar, escrever, comunicar, exprimir, procurar informações, sem receio de repressões e opressões. Os meios de comunicação passaram assim a cumprir com o seu objectivo principal: o de comunicar, o de informar.

E o povo passou a ser livre para se exprimir, para pôr em prática as suas ideias originais e dar asas ao seu pensamento criativo. Em suma, de procurar os seus sonhos e dar voz ao seu talento.

Sem a revolução de Abril, os portugueses não teriam tido a possibilidade de mostrarem ao mundo lá fora o potencial, criatividade e determinação que tão bem caracterizam o nosso povo.

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