Recuperação de património

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A Vila Galé conta com 34 hotéis: 25 em Portugal e nove no Brasil. Se recuarmos na história da empresa, percebe-se que já há muitos anos que o grupo segue esta tendência de recuperar património. Aconteceu, por exemplo, com o Vila Galé Albacora, em Tavira, como relembra Catarina Pádua, directora de Marketing da Vila Galé, «aberto em 2000, resultou da recuperação que aproveitou as antigas instalações de um arraial de pesca do atum.

É uma espécie de aldeia em miniatura, onde mantivemos a igreja, a escola e toda a estrutura arquitectónica datada da década de 40». Outro exemplo é o Vila Galé Ericeira, outrora o emblemático Hotel de Turismo da Ericeira, que, comprado e renovado pelo grupo, abriu portas em 2002. Mais recentemente, no portefólio do grupo surgiu o Vila Galé Collection Palácio dos Arcos, em Paço de Arcos, unidade que abriu em 2013, e que se apresenta como o primeiro 5 estrelas do grupo, resultado da recuperação de um palácio do séc. XV.

Mas, enquanto um grupo bastante activo e cada vez mais atento às questões do património e da cultura, a Vila Galé deu vida a mais duas unidades que resultam da requalificação e da renovação de espaços emblemáticos das cidades onde se encontram, o Vila Galé Collection Braga e o Vila Galé Collection Elvas. «No primeiro caso, transformámos o antigo Hospital de São Marcos», refere Catarina Pádua. Datado de 1508, exemplo de uma arquitectura marcante, o edifício funcionava como hospital, estando desocupado desde 2011.

No que diz respeito à unidade de Elvas, inaugurada em Junho de 2019, é a primeira a abrir em Portugal no âmbito do programa Revive. «Neste caso, recuperámos o antigo convento de São Paulo, de traça setecentista», afirma a directora de Marketing do grupo, revelando que, «já no próximo ano, abre o Vila Galé Collection Alter Real, em Alter do Chão, integrado na reconversão de partes da Coudelaria de Alter e dedicado ao turismo equestre».

Factores distintivos

Mas que características têm estes edifícios para suscitar a atenção da Vila Galé é a pergunta que se impõe. Para Catarina Pádua, desde logo, a localização e o contexto em que estão inseridos. «Mas também a história que os envolvem e que permite contar o estado de conservação e o tipo de imóvel, ou seja, o seu potencial para ter um uso hoteleiro e turístico», reforça a responsável.

Nestas unidades, os hóspedes vão encontrar todas as comodidades que caracterizam as melhores unidades hoteleiras, podendo existir, nalguns casos, algumas limitações, seja de espaço, seja devido à estrutura do edifício. «Mas temos conseguido sempre encontrar soluções para proporcionar todos os serviços que os clientes esperam encontrar num hotel Vila Galé», revela Catarina Pádua, desde a diferente oferta gastronómica, com mais do que um restaurante, o spa, as piscinas exterior e interior, os quartos de várias tipologias e a biblioteca.

«Há unidades em que conseguimos ter espaços diferentes e que podemos aproveitar para eventos, como acontece com os claustros dos Vila Galé Collection Braga e Collection Elvas, ou com a capela do Vila Galé Collection Palácio dos Arcos», sublinha a responsável, reforçando que «as recuperações podem ser processos complexos do ponto de vista de construção, mas estes imóveis, sendo antigos, têm espaços que não é usual existirem num hotel e que lhe dão muita graça. Acabamos até por conseguir ter uma maior diversidade de quartos, com diferentes áreas e tipologias originais, como é o caso dos quartos com mezzanine no Vila Galé Collection Elvas.

Já em Braga encontrámos muito espólio antigo do hospital, que quisemos expor, para transmitir a história do edifício, tendo o mesmo acontecido no Palácio dos Arcos, unidade que ainda mantém alguns quadros, lustres e objectos da decoração anterior».

Unidades distintas

Relativamente ao público que procura este género de hotéis, revela a Vila Galé que são procurados tanto por clientes portugueses, como estrangeiros. «Acreditamos que, independentemente da nacionalidade, um cliente preferirá sempre mais ficar num hotel que tenha história, uma forte componente cultural, uma arquitectura interessante e que lhe proporcione uma experiência de alojamento enriquecedora, do que num hotel indiferenciado e sem conteúdo», reforça Catarina Pádua, sublinhando que, «mesmo nos hotéis que não estão em edifícios históricos, procuramos “recheá-los”, por exemplo, através de decoração temática».

Este é também o motivo pelo qual grande parte das unidades Vila Galé tem um tema: no Vila Galé Sintra foram recuperadas as lendas e os mitos da região, no Vila Galé Porto Ribeira o tema é a pintura, no Vila Galé Lagos o destaque vai para a moda nacional, e, em Elvas, é retratada a história associada às fortificações portuguesas espalhadas pelo mundo. «A ideia é haver uma forte relação com a cultura e com o património material e imaterial português e até lusófono», destaca Catarina Pádua.

Estratégia e marca

O impacto da valorização destes imóveis na oferta hoteleira Vila Galé é evidente, sendo uma estratégia seguida pelo grupo há muito tempo, definindo não só a marca Vila Galé, mas, simultaneamente, o posicionamento que esta tem no mercado. «Permite-nos ter produtos diferentes, o que se traduz numa oferta mais completa», frisa a directora de Marketing, acrecentando, «em Portugal, um cliente Vila Galé pode ficar em palácios e conventos, em hotéis mais modernos e citadinos ou numa antiga aldeia de pescadores. São contextos diferentes, que acrescentam valor ao hotel».

Desempenhando um papel importante no posicionamento da marca, estes hotéis podem estar, ou não, integrados na submarca Collection, pois, como refere Catarina Pádua, «os projectos que resultam de reabilitação de imóveis não têm necessariamente de integrar a submarca Collection. Isso acontece com o Vila Galé Albacora, que é um eco-hotel, ou com o Vila Galé Ericeira. Por outro lado, há hotéis, como o Vila Galé Collection Douro ou o Collection Praia, que não estão em edifícios reabilitados. Esta submarca aplica-se a hotéis que têm características únicas, como é o caso de todos estes».

Com o nascimento de cada uma destas unidades há um efectivo enriquecimento do portefólio da rede Vila Galé, o qual depois acaba por trazer também um enriquecimento da oferta. «Queremos ter edifícios renovados e com uma forte carga histórica e cultural. Mas também queremos que isso se reflicta na gastronomia que temos nos restaurantes, por exemplo, com propostas regionais; no spa, onde procuramos recorrer a produtos típicos para fazer massagens, como o vinho, sal ou o azeite; na decoração do hotel, com notas explicativas nas áreas comuns, exposição de peças antigas ou parcerias com entidades locais para divulgar os seus espólios», afirma a responsável, tendo sido precisamente isso que aconteceu em Elvas, com os museus de Arte Contemporânea, Militar e dos Cristos de Sousel, parcerias que permitiram que estejam expostos artigos das suas colecções no hotel.

Além de diversificar a oferta, estas unidades dão a conhecer outras zonas do País, criando nelas um acrescido motivo de interesse, pois, como refere Catarina Pádua, «um hotel tem de estar bem integrado e fazer parte de um destino, bem como o inverso. No nosso caso, o que queremos é que a envolvente e a história do local também estejam muito presentes nas nossas unidades.

E que o hotel seja um elemento dinamizador da comunidade». Revitalizar e viabilizar o património histórico através da implementação de unidades é também é uma via para afirmar Portugal e as suas diferentes regiões enquanto destinos turísticos, através da divulgação do património, da cultura, das tradições e da gastronomia. «É uma forma de criar novos produtos, novas experiências para oferecer a quem nos visita.

E isso também ajuda a puxar pelos destinos, a criar mais pontos de atracção, a desenvolver cidades que ainda não estão tão na rota dos turistas», declara Catarina Pádua. «Temos defendido que é preciso atrair os turistas para o interior, porque há muito para descobrir e porque isso permite distribuir melhor a carga turística pelo território. E esse é um contributo que queremos dar através da hotelaria. Tentamos criar novas centralidades e incentivar os turistas a conhecer outras regiões, diversificando os produtos que temos para lhes oferecer e incentivando o regresso para conhecerem mais do País», conclui.

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