Quem vende mais smartphones? Huawei rouba a coroa à Samsung e a culpa é da pandemia

Pela primeira vez, a Huawei conquista o título de empresa que mais smartphones vende em todo o Mundo. O mais recente relatório da Canalys mostra que a fabricante chinesa superou a rival Samsung, no período de Abril a Junho, embora ambas tenham sentido os efeitos da pandemia de COVID-19.

A Huawei viu as vendas de smartphones caírem 5% para 55,8 milhões de dispositivos, mas mesmo assim não registou um recuo tão forte como a Samsung, cujas vendas afundaram 30% no segundo trimestre. Os 53,7 milhões de equipamentos vendidos fizeram com que descesse para o segundo lugar da tabela.

“É a primeira vez em nove anos que outra empresa que não a Samsung ou a Apple lidera o mercado”, adianta a Canalys. A mesma consultora indica que a tensão comercial com os Estados Unidos da América está a prejudicar as vendas internacionais da Huawei (-27% no segundo trimestre), mas que o domínio no mercado interno tem aumentado: mais de 70% dos smartphones vendidos tiveram como destino a China Continental.

Ben Stanton, analista senior da Canalys, considera que este é um resultado incrível que poucas pessoas terão previsto há alguns anos. «Se não fosse pela COVID-19, não teria acontecido», garante, explicando que a Huawei tem sabido aproveitar a recuperação da economia chinesa para fortalecer o seu negócio.

Por outro lado, a Samsung tem uma presença pouco significativa na China, com menos de 1% de quota de mercado. As suas principais geografias, como o Brasil, Índia, Estados Unidos da América e Europa, estão ainda a lidar com surtos e confinamentos, resultando num desempenho mais fraco.

«Tomar o primeiro lugar é muito importante para a Huawei», acrescenta Mo Jia, também analista da Canalys. «Está desesperada por mostrar a força da sua marca aos consumidores domésticos, fornecedores de componentes e programadores. Tem de convencê-los a investir e irá difundir a mensagem do seu sucesso amplamente nos próximos meses», explica.

No entanto, deverá ser difícil manter a liderança. Segundo Mo Jia, alguns dos seus principais parceiros em regiões como a Europa estão cada vez mais cautelosos em relação aos equipamentos da Huawei. «Só a força na China não será suficiente para manter a Huawei no topo assim que a economia global começar a recuperar», garante.

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