Quem vence a guerra do streaming? DECO aponta para Netflix

Quando permanecer em casa é a melhor arma para travar o novo coronavírus, os serviços de streaming de vídeo podem ajudar a passar o tempo. A Netflix continua a ser a opção mais interessante, segundo a DECO.

A escolha de um serviço de streaming depende muito dos gostos de cada utilizador e das séries que acompanha. Mas existem outros aspectos importantes: preço, qualidade da imagem, facilidade em navegar na plataforma e localizar conteúdos, quantidade de aparelhos a partir dos quais é possível aceder ao serviço, número de logins simultâneos e gestão dos dados móveis.

A DECO analisou os quatro serviços disponíveis em Portugal e encontrou diferenças substanciais entre eles. De forma resumida, o serviço Ultra-HD da Netflix é o melhor, mas a mais interessante relação entre a qualidade e o preço cabe à Amazon Prime Video.

Compare os pontos a favor e contra e escolha o seu companheiro para os dias da quarentena.

Netflix: o melhor serviço de streaming

O Netflix é o serviço mais completo, mas também o mais caro: o plano mais abrangente, o Ultra-HD, que permite o acesso a vídeos 4K (HDR, em alguns casos) e a quatro logins simultâneos, custa 13,99 euros mensais. O plano Standard, a 10,99 euros mensais, com vídeos full-HD e dois logins simultâneos, acaba, deste modo, por ser o mais equilibrado.
Independentemente do plano escolhido, a Netflix concede um período experimental de 30 dias, mas é preciso associar um cartão de crédito. Se não cancelar a subscrição antes do término do período experimental, o pagamento inicia-se de forma automática. Este é, aliás, o procedimento típico de quase todos os serviços de streaming de vídeo e mesmo de áudio.
Como contrapartida de um preço mais elevado, propõe, de longe, o catálogo mais rico: séries são mais de mil, documentários mais de 600 e filmes cerca de 1500.

Deixa a concorrência a grande distância também na compatibilidade. Computador, smartphone, tablet, caixas descodificadoras dos serviços de televisão da Meo e da Vodafone, todas as plataformas de smartTV mais recentes, consolas de jogos modernas e diversos leitores multimédia: todos podem correr a app da Netflix.

O único senão é nem sempre os vídeos poderem ser descarregados para visualizar offline, o que permitiria poupar dados móveis. Mas, mesmo que o acesso seja feito com o gasto de dados, é possível escolher o nível de qualidade da imagem para reduzir o consumo do plafond.

Amazon Prime Video destaca-se pela relação entre qualidade e preço

Com pouco mais de 500 séries e 700 filmes, quantidade suficiente para a maioria dos utilizadores, mas um número de documentários muito reduzido, de apenas 50 títulos, o catálogo da Amazon Prime Video fica num patamar inferior ao proposto pela Netflix. Contudo, o preço mais reduzido pode ser um atractivo. A mensalidade é de 5,99 euros, incluindo-se aqui conteúdos em resolução 4K, vários deles também com a tecnologia HDR, que melhora os contrastes em algumas cenas, algo que, no caso da Netflix, apenas é possível no plano mais caro. Este pacote da Amazon inclui dois logins simultâneos.

A compatibilidade é idêntica à que se verifica no serviço da Netflix. Única diferença: a app da Amazon Prime Video está ausente das caixas descodificadoras dos operadores de televisão por subscrição.

Este serviço apresenta ainda as mais completas opções de gestão de dados móveis. Todos os vídeos podem ser descarregados para visualizar offline, sendo possível escolher o nível de qualidade da imagem e o tipo de armazenamento a usar (por exemplo, pen ou disco rígido externo).

O grande problema é a maioria das legendas estarem em português do Brasil, incluindo nas dobragens dos conteúdos infantis.

HBO: opção pouco interessante

Com apenas pouco mais de 200 séries e cerca de 180 documentários, a HBO apresenta um catálogo mais pobre do que os da Netflix e da Amazon Prime Video. Já os filmes, com mais de 500 títulos, são em número suficiente para boa parte dos utilizadores. O primeiro mês é grátis, mas é preciso associar um meio de pagamento. A partir daqui, o preço a pagar é de 4,99 euros por mês e inclui cinco logins, dois dos quais em simultâneo. Já a resolução máxima dos vídeos é full-HD. Mas a qualidade da imagem nesta resolução é inferior à proporcionada pela Netflix e pela Amazon Prime Video para o mesmo nível de qualidade.

Face à Netflix e à Amazon Prime Video, a HBO revela ainda menor compatibilidade. É verdade que a app deste serviço tanto pode ser instalada em smartphones e tablets Android como iOS. Mas só está disponível na box da Vodafone, nas plataformas de smartTV LG webOS (LG) e Android TV (Sony e Philips), nas consolas de jogos Sony PS4 e PS4 Pro e nos leitores multimédia compatíveis com os sistemas operativos Apple TV e Android TV.

As opções de gestão dos dados móveis são igualmente insuficientes. Nem todos os vídeos podem ser descarregados para serem vistos offline. E também não é possível escolher o nível de qualidade dos conteúdos, nem o local onde são armazenados.

Apple TV+ com catálogo muito pobre

Apesar de ter presença em mais de 100 países, foi o último serviço a chegar a Portugal. Aposta em produções próprias e exclusivas e alguns nomes sonantes juntaram-se já às suas fileiras: a apresentadora Oprah Winfrey, a actriz Jennifer Aniston e o realizador Steven Spielberg. A subscrição mensal tem um custo que aparenta ser bastante acessível (4,99 euros) e que permite o acesso a um máximo de seis utilizadores. Quem tiver comprado um dispositivo da Apple após 10 de Setembro de 2019 recebe um ano de subscrição.

Mas, apesar dos nomes sonantes, do acesso a conteúdos em resolução 4K com optimização de contrastes (HDR), do som de elevada qualidade (Dolby Atmos) e da boa legendagem em português, o catálogo é extremamente reduzido. A Apple tenta confundir os utilizadores com muitos conteúdos de videoclube na página de entrada do site, o que prejudica igualmente, e muito, a facilidade de utilização do serviço. Porém, a DECO só encontrou 11 séries incluídas na subscrição. E, em algumas, não está disponível a totalidade dos episódios, que vão sendo adicionados à razão de um por semana. Além disso, a DECO encontrou somente três documentários. Um deserto, quando comparado com a oferta dos rivais.

A partir do preço inicial, é sempre a somar. Para aceder a alguns conteúdos, como desenhos animados, é preciso fazer uma subscrição à parte. Os filmes também são alugados ou comprados em separado.

Outro problema é a compatibilidade. A app da Apple TV+ pode ser instalada apenas em smartphones e tablets da marca, nos televisores inteligentes mais recentes da Samsung, LG e Sony e em leitores multimédia compatíveis com o sistema operativo Apple TV. Ficam de fora os smartphones e os tablets Android, as caixas descodificadoras dos serviços de televisão pagos e as consolas de jogos.

Afluência em massa, limitação do serviço

Com a Europa em casa, a Netflix anunciou que vai limitar a qualidade do streaming até meados de Abril, para que o serviço consuma menos largura de banda. A internet está, naturalmente, a ser alvo de maior solicitação, devido ao aumento exponencial de teletrabalho e das chamadas de vídeo. A Netflix já usa um sistema dinâmico, em que a atribuição da largura de banda ao cliente depende do total disponível, de forma a não sobrecarregar a rede. Como consequência, nesta fase, durante os picos de utilização da rede, deverá disponibilizar apenas vídeos em resolução SD. A Netflix espera, assim, reduzir o seu tráfego em 25%, ao mesmo tempo mantendo a qualidade do serviço.

A Amazon Prime Video já anunciou que irá igualmente proceder à redução da largura de banda dos vídeos transmitidos, tentando alcançar o melhor equilíbrio possível entre qualidade e tráfego consumido.

Fora do âmbito deste estudo, mas com um peso enorme no tráfico gerado pelo streaming, a Google também referiu que, durante a fase da pandemia, o YouTube irá transmitir todos os conteúdos em resolução SD na União Europeia.

A decisão de reduzir a largura de banda surgiu na sequência de um pedido da própria União Europeia para que os serviços de streaming de vídeo se comportassem de forma responsável face ao novo cenário. A rede deverá suportar o aumento da procura, que obriga a ajustamentos por parte dos fornecedores. Mas é natural que os utilizadores notem quebras de velocidade e até no serviço.

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