Produção de TV está em pausa. Serão as reposições o futuro?

A TVI anunciou que a gala final da primeira edição do “Big Brother” em Portugal será transmitida hoje, dia 26. Duas décadas depois de ter estreado, o programa regressa à televisão numa espécie de viagem ao passado que prepara o futuro: à transmissão deste último programa em que Zé Maria se consagrou vencedor, segue-se o primeiro capítulo de “BB 2000” – que teve de sofrer algumas alterações.

Na imposibiidade de reunir, para já, um novo grupo de pessoas na mesma casa, a TVI adaptou o programa e criou o “BB Zoom”. O canal irá acompanhar a quarentena dos participantes da edição deste ano durante duas semanas: o dia-a-dia de cada um em isolamento, em apartamentos providenciados pela produção do programa, será transmitido na televisão.

Neste caso, a aposta foi para uma reposição seguida de um novo formato adaptado às circunstâncias do COVID-19. Mas há outros cenários em que as produções em pausa só terão mesmo como solução a reposição de conteúdos antigos.

«Mesmo que o confinamento termine em breve, não sei quão rápido as pessoas ficarão entusiasmadas com a ideia de equipas de 100, 150 pessoas a trabalhar tão próximas em cenários pouco ventilados. Será interessante ver como afecta a indústria», afirma Justin Spitzer, um dos guionistas da série “The Office”, citado pela CNN.

Perante as dificuldades que se avizinham, o grande vencedor da pandemia – em termos televisivos – poderá mesmo ser a programação de outros tempos. Se esta era uma tendência que já se verificava graças às plataformas de streaming – que disponibilizam séries antigas e que despertaram uma espécie de onda revivalista -, poderá tornar-se, agora, uma realidade consolidada.

«Não haverá uma temporada de Outono televisiva pela primeira vez na História», adianta ainda o analista Rich Greenfield à CNN, acrescentando que este seria o melhor momento possível para lançar um serviço de streaming. Com as pessoas em casa, o consumo de conteúdos tem disparado. E há muitas séries ou filmes mais antigos que as pessoas não tiveram oportunidade de ver aquando da transmissão original – ou porque ainda não existiam boxes com a opção de gravação ou porque eram muito novas, por exemplo.

Enquanto novos programas não podem arrancar, é possível que séries como “The Office”, mas também “Parks & Recreation”, “Friends”, “Scrubs” ou “Grey’s Anatomy” continuem a crescer. Até porque há também outro fenómeno à espreita: não seria hábito da maioria dos espectadores repetir programas de televisão, ao contrário do que acontece com um álbum de música que se ouve uma vez e outra. Porém, parece registar-se uma tendência de regresso a alguns conteúdos preferidos, como se de uma canção se tratasse.

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