Procura trabalho? Eis 5 motivos para apostar numa formação prática

Por Marco Gouveia, consultor e formador de Marketing Digital, head of Digital Marketing no Pestana Hotel Group e Google Regional trainer

Ir para a escola, tirar boas notas, conseguir um diploma e, posteriormente, garantir um bom emprego para a vida – o conceito milenar que todos nós certamente ouvimos em algum momento das nossas vidas vindo dos nossos pais ou avós. Mas fará ainda sentido no mercado de trabalho e na sociedade de hoje?

A geração que vai entrar agora no mercado de trabalho depara-se com um ambiente extremamente competitivo, onde não basta um diploma para se destacar. Embora este seja quase um pré-requisito para a maioria das empresas, é preciso mais do que isso nos dias de hoje. No chamado país “dos doutores”, os que ambicionam preencher uma vaga de emprego estão, normalmente, em pé de igualdade com os seus concorrentes, na medida em que grande parte deles possui um diploma do ensino superior.

Acredito que estejamos a convergir para um mundo onde as competências – não os diplomas – são os factores mais importantes na hora de escolher quem contratar. Assim, aquilo que marca a diferença são as competências práticas e a capacidade para as aplicar em situações de trabalho reais e actuais – além das soft skills, claro.

Várias empresas de renome, como a Google, a Apple, a IBM, Netflix, Airbnb, Tesla, já se afastaram da mentalidade obsoleta de que a formação académica é aquilo que mais deve pesar ao analisar um currículo. Como se vê, as empresas têm vindo a transformar-se rapidamente para acompanharem o panorama tecnológico e as necessidades do consumidor de hoje. Pelo contrário, os programas universitários tradicionais não estão a acompanhar tão rápido quanto deveriam. Apesar de se começar a assistir a uma lenta mudança de mentalidade, a componente prática ainda é escassamente incluída nos planos curriculares dos
cursos académicos em Portugal.

Com isto não quero retirar a importância que tem a aprendizagem teórica ou defender um sistema de ensino centrado totalmente no desenvolvimento de competências práticas. Pretendo, apenas, lançar a reflexão para pessoas que se encontram actualmente neste dilema sobre o passo seguinte a tomar: curso académico, maioritariamente teórico, ou uma formação mais prática, adequada às suas necessidades e à procura do mercado?

Não se trata de colocar competências práticas versus graus académicos. Trata-se, antes, de mudar a mentalidade. Nos pontos seguintes espero contribuir para tal, dando cinco motivos pelos quais deve apostar em formações especializadas e elevar o seu valor enquanto profissional.

Em primeiro lugar, os cursos práticos permitem desenvolver competências técnicas, especializadas, contribuindo para formar um profissional mais completo e actualizado. O conhecimento teórico é muito importante, atenção; não obstante, é necessário saber como aplicá-lo no dia-a-dia. Por isso, uma formação especializada dá-lhe a oportunidade de colocar a teoria em prática e consolidar o know-how necessário para exercer a sua profissão com distinção.

Em segundo lugar, é uma forma de adquirir novos conhecimentos úteis em pouco tempo e, muitas vezes, exigindo um investimento menor. Vários estudos provam que a aprendizagem é mais eficaz quando desenvolvemos as tarefas na prática e debatemos ideias com outras pessoas. Além disso, o convívio com outros profissionais traz imensos benefícios não só ao nível da aprendizagem, como também de networking. Geralmente, os docentes das formações práticas trabalham efectivamente no mercado, possuem contactos valiosos e estão a par daquilo que é importante para (re)qualificar a pessoa que está à sua frente no mesmo.

Em terceiro lugar, ter uma formação prática no seu currículo é sempre algo que o valoriza bastante. As empresas procuram profissionais capacitados, prontos para actuar em diferentes sectores e dispostos a crescer profissionalmente. Como sabemos, dão prioridade aos candidatos que têm experiência na área de actuação e capacidades práticas comprovadas. Quando não se tem muita experiência profissional, a certificação de uma formação prática é algo que pode preencher essa lacuna.

Em quarto lugar, um profissional actualizado tem também maior probabilidade de alcançar cargos e salários superiores. Alguém que se formou há mais de 10 anos obteve conhecimentos que estão agora desactualizados, especialmente em áreas como marketing e tecnologias de informação, entre outras. É necessário mostrar aos potenciais empregadores que continuou a apostar na sua aprendizagem, acompanhou as tendências do sector e adquiriu novas competências valiosas para exercer a sua profissão no mundo atual.

Em quinto lugar, as experiências profissionais contribuem para fazer renascer a sua motivação de tempos em tempos. Estar em contacto com colegas da área e aprender novos conceitos motiva as pessoas para continuarem a evoluir. Assim, vale a pena procurar oportunidades para desenvolver as suas competências e animar a sua evolução na carreira.

Especialmente na área das tecnologias da informação, a necessidade de profissionais capacitados para responderem aos desafios actuais acelerou durante esta pandemia e essa tendência deverá ser reforçada numa economia cada vez mais digital. Dados do INE mostram que as actividades em que estão incluídas as TI criaram mais de 24 mil postos de trabalho em plena crise. Posto isto, haverá, claramente, uma crescente procura de perfis nas áreas tecnológicas. A questão é: está pronto(a) para agarrar o desafio?

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