O maravilhoso mundo marinho

O Sea Life Porto está a celebrar 10 anos. Trata-se, em Portugal, do único espaço de entretenimento do grupo Merlin Entertainments – que, no portefólio, detém outras marcas como Madame Tussauds e os parques Legoland. Saiba como a marca mantém vivo o interesse dos portugueses.

Texto de Maria João Lima

Foi em Junho de 2009 que o Sea Life Porto abriu as suas portas representando a entrada do Grupo Merlin Entertainments em Portugal. E se é verdade que de lá para cá não investiu em mais nenhum espaço (com 120 atracções a nível mundial em 25 países, o grupo responde por marcas como Madame Tussauds, London Eye ou Legoland), também o é que o investimento no País não tem estado parado. A prova disso foi recentemente apresentada aos visitantes, quando abriram ao público as ampliadas instalações que estavam a ser trabalhadas nos últimos meses para receber pinguins Humboldt. Estes juntam-se às simpáticas presenças dos tubarões ponta negra (que nunca param de nadar), da tartaruga Marisa ou das sorridentes raias, entre tantos outros que perfazem mais de 300 espécies diferentes.

Desde que abriu portas, há 10 anos, o Sea Life Porto recebeu já mais de dois milhões de visitantes. «Até ao final do ano vamos chegar aos dois milhões e quinhentos mil», garante Tiago Mogadouro, director de Marketing do Sea Life Porto, salientando que, como é uma empresa cotada em Bolsa, não pode referir os visitantes por ano. No entanto, dá a garantia de que têm dezenas de milhares de visitantes de escolas anualmente.

O responsável de Marketing tem consciência de que ao fim de 10 anos não é tarefa fácil manter os visitantes interessados no espaço. O segredo passa por ir inserindo novidades. «Introduzimos novas criaturas, temos exposições temporárias de criaturas que não fazem parte da exposição permanente e que motivam as pessoas a vir.» Além disso, o Sea Life mantém uma mensagem consistente de educação para que as pessoas percebam que o espaço é fundamental no percurso académico. «Na zona de influência que temos na zona Norte, as pessoas percebem claramente que é um ponto de passagem obrigatório. O público com o qual trabalhamos agora não é o mesmo com o qual trabalhávamos há dez anos, porque as pessoas envelhecem e vão maturando.»

Mas o público-alvo continuam a ser as crianças e as famílias, porque a mensagem, infelizmente para todos nós, «está mais actual e é mais relevante do que nunca». Na verdade, lembra Tiago Mogadouro, «o espaço cresce em relevância não só por aquilo que apresenta no dia-a-dia, mas também com a mensagem e com a preocupação de ensinar e de promover os oceanos, explicando às crianças o que é e por que é que se deve proteger». No fundo, o principal objectivo do Sea Life é que as crianças se apaixonem pelos oceanos e se tornem embaixadoras dos mesmos. «São as crianças de hoje que vão mudar os comportamentos de amanhã.»

As crianças são os embaixadores preferenciais para a passagem da mensagem da conservação da natureza, mas os pais estão muito próximos disso. «Naturalmente que é mais fácil ensinar algo a uma criança, que ainda está na fase de aprendizagem de comportamentos, do que um adulto, que sempre teve determinados comportamentos», acrescenta. O objectivo é que, na visita, as crianças aprendam. Por isso existem vários jogos interactivos. «Não queremos que a visita seja apenas de contemplação. Há um quizz em que os miúdos têm o objectivo de chegar ao fim e conseguir um prémio, que é uma medalha em que lhes dizemos que passam a ser embaixadores dos oceanos e têm de partilhar a mensagem.»

O raio de influência deste espaço é a zona Norte, a partir de Coimbra. «Em Portugal há um espaço de referência no mundo inteiro e nós ficamos com o nicho de mercado da zona Norte», salienta, referindo-se, claro, ao Oceanário de Lisboa. Pela sua localização o Sea Life tem também visitantes espanhóis, essencialmente famílias da Galiza. Apesar da proximidade, os espanhóis não são os turistas não portugueses mais rendidos ao espaço de entretenimento. Na liderança (depois dos portugueses) estão os franceses (11 a 12%), seguidos dos espanhóis (10%) e o Reino Unido. «Uma mais-valia do espaço é que os nossos colaboradores são multidisciplinares e falam variadas línguas. E temos todos os conteúdos traduzidos nas quatro línguas.»

Para comunicar a sua oferta a esses turistas, o Sea Life trabalha em parceria com outras unidades da cidade, como cadeias hoteleiras, lojas de turismo, empresas de sightseeing, de visitas ao Douro ou a caves. «Todos estes stakeholders são nossos parceiros e comunicam com as famílias com crianças entre os três e os 12 anos», conta Tiago Mogadouro, referindo o que é feito no plano analógico.

Já no plano digital, têm o site em duas línguas e, com as online travel agencies, comunicação logo no ponto de partida. «Trabalhamos com o Booking e assim que é feita uma marcação de hotel, por exemplo, para dois adultos e duas crianças, logo a seguir recebe um email com sugestão do que visitar. E até pode comprar directamente o bilhete.»

Para chegar aos visitantes nacionais, o Sea Life aposta em estar nas notícias com frequência nos meios da especialidade. «Organizamos exposições temporárias e eventos», salienta. A par disso, há todo um trabalho feito com influenciadores que têm interesse pela temática do Sea Life. «Alguns contactam- -nos, outros compram bilhete e nós vimos adescobrir dias mais tarde no Instagram que estiveram no espaço. Pontualmente convidamos pessoas, mas sempre sem haver cachets envolvidos», revela Tiago Mogadouro.

Da recessão à glória

O Sea Life abriu a sua unidade no Porto em 2009 e logo de seguida o País entrou em recessão. «O consumo baixou drasticamente e nós fomos impactados. Recorde-se que a margem de negócio diminuiu com o IVA a passar de 6 para 23%. Foram anos muito difíceis», recorda Tiago Mogadouro. E acrescenta: «Felizmente, além do País recuperar como um todo, o Porto teve uma recuperação ainda mais acelerada. As pessoas voltaram a ter confiança e isso sentiu-se no público local.» A juntar a isso, de um momento para o outro, a cidade foi invadida por turistas. «Hoje o turismo externo representa mais de 30% dos nossos resultados», salienta. «Não somos o maior aquário do mundo, nem o que tem mais espécies, mas compensamos com a experiência. As pessoas que temos, aquilo que oferecemos, o acolhimento que fazemos e o ambiente que conseguimos transmitir.»

Ainda que não esteja nos planos do Grupo Merlin Entertainments ter novas unidades em Portugal – «quando se põe o mundo inteiro em cima da mesa é fácil ver outros sítios onde há um sem-fim de atractivos maiores do que aqueles que nós neste momento apresentamos», explica o director de Marketing, lembrando que o plano de expansão está a passar pelo Sudoeste Asiático e América do Norte –, os investimentos continuam.

As obras de ampliação que estão a ser feitas na unidade Sea Life Porto, deram a conhecer, entre outros, um aquário exterior. «Temos um plano estratégico que passa por consolidar o espaço, ampliá-lo, dar às pessoas mais motivos para o visitarem e para conhecerem novas espécies. Depois temos um plano ambicioso de dar à comunidade de volta algo que nos deram, que foi este apoio durante 10 anos. Neste momento o que vemos no curto médio prazo é, com eventos educativos, conseguir através da nossa força e mensagem, educar a comunidade e proporcionar momentos divertidos em que consigam aprender», finaliza.

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