O futuro do sector do luxo

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Marketeer
28/08/2025
11:35
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Texto: Nini Andrade da Silva, Designer de interiores

É uma paisagem dinâmica, moldada por forças globais – desde demografias até à revolução tecnológica e ao impacto das novas gerações. Como designer de interiores e líder de um atelier que se dedica ao segmento do luxo, vejo o futuro como uma oportunidade para reflectir, adaptar e, acima de tudo, inovar. Os desafios que enfrentamos não são pequenos, mas são o que tornam este trabalho tão estimulante. O meu objectivo, enquanto profissional e criativa, é acompanhar estas mudanças e liderar com visão e intencionalidade. Vamos analisar os principais pontos que, acredito, moldarão o caminho do meu atelier nos próximos anos.

1. Entender a nova realidade da riqueza global

Para projectar o futuro do luxo, é essencial compreender o estado actual da riqueza global. Estamos a assistir a um cenário onde o “grande motor” do consumo se desloca. Enquanto a Europa e os Estados Unidos da América enfrentam populações envelhecidas, mercados em regiões como o Sudeste Asiático, o Médio Oriente e África apresentam forças de trabalho jovens e em forte crescimento.

Ao mesmo tempo, a transferência intergeracional de riqueza, conhecida como The Great Wealth Transfer, está a mudar o perfil do consumidor. Embora o foco nas gerações Z e Alpha seja natural, não podemos esquecer os clientes fiéis que construíram a história deste sector. Há um equilíbrio delicado que tem que ser alcançado: responder a novos públicos, mas sem perder a autenticidade que conquistou a confiança das demais gerações.

A transição para uma cultura onde os limites entre gerações se diluem exige uma abordagem inclusiva e baseada em valores muito bem definidos. O luxo do futuro não será segmentado por faixas etárias, mas guiado por aspirações e experiências partilhadas.

2. A diversidade como pilar do luxo contemporâneo

A diversidade deixou de ser um objectivo e passou a ser um pré-requisito. Este é um tema crítico no atelier, onde procuramos integrar a inclusão em cada detalhe dos nossos projectos – desde a escolha de materiais locais até à celebração de culturas através do design.

No entanto, a diversidade no sector do luxo não pode ser uma resposta superficial às exigências do mercado. Deve ser intrínseca, enraizada nos valores que guiam a nossa própria prática. Como designer, sinto a responsabilidade de criar espaços que não apenas acolhem a diversidade, mas a exaltam como elemento essencial de autenticidade e criatividade.

3. Tecnologia e humanidade: encontrar o equilíbrio

A revolução da Inteligência Artificial e automação está a transformar todos os sectores, e o luxo não é excepção. Contudo, acredito que o toque humano continuará a ser indispensável.

O design de interiores, especialmente no segmento alto, vive das histórias que criamos e das emoções que provocamos – algo que o automatismo ainda não consegue replicar. As experiências personalizadas, embora promissoras, devem ser autênticas e não um reflexo de estratégias genéricas.

O verdadeiro luxo reside em momentos inesperados, na surpresa de um detalhe cuidadosamente pensado. No atelier, o desafio daquilo que designamos por silent tech será o de integrar a tecnologia como uma ferramenta que eleva verdadeiramente a experiência, sem comprometer a alma que define o nosso trabalho.

4. Status líquido: a nova linguagem do luxo

Estamos a entrar numa era em que o status deixou de ser rígido e hierárquico. A nova geração valoriza cada vez mais a autenticidade acima da ostentação. Isso significa que o luxo já deixou de ser definido por etiquetas ou preço, passando a ser por valores, como sustentabilidade, inovação e envolvimento cultural.

Toda esta mudança representa uma oportunidade única para repensar a forma como criamos. No meu atelier, o objectivo será continuar a curar experiências que não só reflictam as aspirações dos clientes, mas também estabeleçam uma conexão emocional duradoura.

Como criativos, somos guardiões do passado e visionários do futuro, e é esse equilíbrio que moldará o legado que queremos construir.

5. O multiverso das marcas e o papel do design

As marcas já não vivem isoladas. Funcionam como ecossistemas, onde cada interacção contribui para uma narrativa maior. Este conceito aplica-se directamente ao design de interiores – cada projecto é uma peça de um universo maior, onde cada detalhe conta uma história e onde a experiência do cliente transcende o tangível.

O nosso objectivo será criar experiências que vão além da estética. Queremos que os espaços que projectamos sejam portais para novas formas de ver e viver o mundo. Inspirados por boas práticas e pelo compromisso com a preservação da tradição artesanal, pretendemos definir um padrão que combina inovação com valores fundamentais.

6. A caminho de 2025 e ainda mais além

O futuro do atelier não será apenas sobre projectar interiores luxuosos, mas sobre construir um legado. É um caminho onde a inovação será guiada por valores, onde a tecnologia será uma aliada e não uma substituta, e onde cada projecto será uma expressão da nossa visão: transformar o luxo em algo verdadeiramente intemporal.

Porque, no final de contas, o verdadeiro luxo não é possuir algo, mas fazer parte de algo significativo. Este é o desafio e a promessa que assumimos enquanto criativos e visionários.




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