O presidente da Associação Nacional de Agentes e Corretores de Seguros (APROSE), Nuno Martins, defendeu hoje no Parlamento a criação de um fundo de catástrofes naturais, com a participação do Estado e das empresas de seguros.
Numa audição requerida pelo Chega e pelo PS sobre os efeitos das intempéries, o representante dos corretores de seguros considerou que “o Estado tem um papel muito importante” na prevenção de catástrofes, atuando ao nível da conceção e do tipo de construção. Adiantou, no entanto, que os acontecimentos recentes são uma “oportunidade enorme” para finalmente se avançar com a criação de um fundo de catástrofes naturais, uma ideia já debatida entre anteriores governos e empresas de seguros. “As seguradoras não vão fazer coisas se o Estado não ajudar. O regulador dos seguros também vai precisar da ajuda do Estado”, disse Nuno Martins, reforçando que esta é a altura “de dedicar tempo a construir alguma coisa”.
Nuno Martins admitiu também a necessidade de alterar os capitais dos seguros multirrisco, estimando que o valor de reconstrução que as seguradoras pagarão, em caso de sinistro, venha a aumentar para 1.500 ou 2.000 euros por metro quadrado.
Recorde-se que a 6 de fevereiro, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) anunciou que os líderes das empresas seguradoras que operam em Portugal entregaram uma declaração conjunta apelando ao poder político para que a criação de um mecanismo para responder a catástrofes naturais “seja assumida como uma prioridade estratégica de interesse público”. Em causa, estavam declarações do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que em entrevista ao Público e à Renascença manifestou a vontade do Governo de criar um fundo de catástrofes já este ano, em conjunto com o regulador dos seguros. Segundo o ministro, o fundo “será capitalizado com o seguro dos imóveis e dos equipamentos e depois com o resseguro”.
As seguradoras manifestaram também “total disponibilidade para colaborar com o Estado e com as entidades competentes na definição de um modelo nacional de proteção robusto e sustentável, assente em princípios de solidariedade, prevenção e partilha de riscos, à semelhança do que já existe na maioria dos países europeus”.












