O bambu pode ser a solução para uma moda sustentável? Ou é uma ameaça disfarçada?

O fabrico de vestuário envolve um consumo de energia superior ao das indústrias da aviação e transporte marítimo combinadas, de acordo com dados das Nações Unidas. É também responsável por 10% das emissões de gases a nível mundial.

Não é de estranhar, por isso, que as empresas estejam a investir em alternativas aos processos e aos materiais utilizados actualmente. Uma das apostas tem sido as fibras de origem vegetal, nomeadamente o bambu, mas a Euronews alerta que esta poderá não ser a melhor opção se o objectivo é proteger o Planeta.

O problema não está no próprio bambu, uma vez que este é um material renovável e versátil, que requer pouca água, zero pesticidas e que emite 35% mais oxigénio do que outras árvores com o mesmo tamanho. O desafio está no processo que se desenrola a partir do momento em que o bambu é escolhido como material para o desenvolvimento de tecidos.

Em alguns casos, segundo aponta a mesma publicação, florestas inteiras estão a ser substituídas por bambu de forma a dar vazão ao crescimento da procura. Isto significa que árvores de algumas espécies em risco estão a ser cortadas, resultando na redução da biodiversidade e na destruição de habitats.

“É importante distinguir entre plantação e colheita de bambu de uma forma que cumpre as expectativas ambientais actuais e o bambu que exacerba esses mesmos problemas”, explica a ONG Canopy. Para que prevaleça a primeira opção, o melhor será optar por plantar o bambu em terrenos degradados, por exemplo.

Continuando pela cadeia de produção, há outros problemas à vista. Mesmo que a parte da plantação tenha respeitado o ambiente, o processo que transforma o bambu em tecido também deixa algumas dúvidas: se for feito de forma mecânica, é mais demorado mas não coloca em causa o Planeta; se a opção for para uma abordagem química, o material resultante é mais macio mas prejudicial.

Viscose e rayon são dois dos materiais que resultam desta transformação química e, segundo a Euronews, em alguns casos as peças precisam apenas de conter 10% de bambu orgânico para serem apresentadas como orgânicas aos consumidores.

Urska Trunk, da campanha europeia Dirty Fashion, garante que já existe uma solução para o problema desde 2017, mas que é necessário implementá-la de forma transversal. Basta que os produtores de viscose se convertam a um modelo fechado que garante que os químicos usados no processo não chegam ao ambiente. Em vez disso, são reciclados e reutilizados.

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