A inteligência artificial (IA) está a mudar radicalmente o mundo corporativo. Inicialmente vista como uma ferramenta para aumentar a produtividade, tornou-se também a principal justificativa para reduções de pessoal e reorganizações estruturais em empresas de todos os setores.
Setores como a manufatura, o transporte, os serviços administrativos e a tecnologia estão particularmente expostos. Segundo o Fórum Económico Mundial, até 2030 a automação poderá eliminar cerca de 92 milhões de empregos a nível global.
Empresas como HP, Meta, Amazon, Google e Microsoft têm liderado esta tendência, cortando postos de trabalho enquanto investem milhões em infraestruturas de IA e automação. Na HP, por exemplo, a reestruturação inclui redução de quadros, redistribuição de funções-chave e integração intensiva de tecnologias de IA em quase todas as áreas.
Apesar dos cortes, o negócio mantém sinais positivos: a procura por equipamentos com capacidades de IA integrada mantém as receitas elevadas, demonstrando que a automação não significa apenas redução de custos, mas também adaptação a novas exigências de mercado.
Consultoras como McKinsey e Gartner alertam que, nos próximos cinco a sete anos, entre 25% a 30% das funções administrativas e operacionais poderão ser automatizadas. Esta mudança obriga as empresas a repensar não só a sua estrutura, mas também as competências que procuram nos colaboradores.
O fenómeno evidencia um dilema crescente no mundo corporativo: aumentar eficiência e reduzir custos através da IA, ao mesmo tempo que se exige aos trabalhadores novas habilidades para coexistir com sistemas automatizados. A tendência está a criar uma “pandemia silenciosa” de cortes, transformando a relação entre talento humano e tecnologia.














