Nova fonte de receita à vista: profissionais dispostos a pagar 80 euros para trabalhar num “terceiro espaço”

Com a adopção crescente do teletrabalho, não faltam estudos e previsões que apontam para um futuro pós-pandemia em que as empresas irão optar por modelos híbridos, que combinam trabalho presencial com tarefas desempenhadas à distância. No entanto, será obrigatório que o trabalho remoto aconteça em casa?

Uma análise elaborada pela Accenture dá conta do nascimento do “terceiro espaço”, ou seja, um espaço alternativo (nem o escritório nem a própria casa) em que os profissionais podem trabalhar. Esta tendência poderá representar uma nova fonte de receita para restaurantes, hotéis, bares, cafés ou, até, estabelecimentos de retalho.

De acordo com o estudo global, mais de três quartos (79%) dos entrevistados disseram que gostariam de trabalhar ocasionalmente num “terceiro espaço” e mais de metade disse que estaria disposto a pagar até cerca de 80 euros por mês para cumprir este desejo. E este dinheiro sairia do seu próprio bolso, não da entidade empregadora.

«A pandemia forçou um ‘pragmatismo criativo’, especialmente junto das empresas de viagens e turismo, que lutam para encontrar fontes de receita adicionais durante a crise», sublinha Emily Weiss, managing director e head of global travel industry group da Accenture.

Segundo a mesma responsável, «alguns hotéis transformaram os quartos em restaurantes pop-up, enquanto outros experimentaram oferecer escritórios temporários aos clientes que procuravam um terceiro espaço para trabalhar. Embora tenha havido experiências com inovação em áreas específicas, as empresas, precisam de dimensionar os novos serviços e proporcionar àqueles que viajam um foco renovado em saúde e segurança, por exemplo, usando a cloud para permitir interacções totalmente contactless».

A principal conclusão do estudo é precisamente que as empresas com melhores resultados na indústria de consumo são aquelas que estão a reinventar as suas instalações físicas, a explorar novos modelos de negócio e a adoptar rapidamente métodos analíticos avançados e outras tecnologias disruptivas.

Mudanças também no retalho

O mesmo estudo indica que “o aumento significativo no e-commerce, provavelmente, se manterá ou acelerará ainda mais”. A proporção de compras online de produtos como comida, decoração, moda e artigos de luxo, feitas por pessoas que antes usavam pouco o comércio electrónico aumentou 343% desde o início da pandemia, por exemplo.

Jill Standish, senior managing director e head of global retail industry da Accenture, acredita que os principais retalhistas foram rápidos a adaptar-se ao crescimento das compras online e que estão a usar tecnologia para encontrar novas formas de servir os seus clientes.

«Muitos adoptaram tecnologias disruptivas, como realidade aumentada, para recriar a experiência em loja e ajudar os compradores a visualizar melhor uma sala de móveis ou uma peça de roupa, enquanto outros transformaram lojas fechadas em centros de abastecimento, agora equipados com tecnologias de picking and packing», explica a responsável. Já num mundo pós-pandemia, este cuidado será para manter.

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