Neste palácio sentimo-nos da realeza

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Maria João Vieira Pinto
30/08/2026
16:02
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Maria João Vieira Pinto
30/08/2026
16:02
Neste palácio sentimo-nos da realeza

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Há quem diga que o Algarve é sol e mar. E também o é. Mas há cidades que estão no mapa e Tavira é uma delas. Aliás, Tavira tem praia e fica pouco distante de uma mão-cheia de praias. Mas também tem história e monumentos, tradição e gastronomia. E, desde o Verão do ano passado, um novo espaço que é um verdadeiro palácio. De resto, é mesmo esse o seu nome, Palácio de Tavira, e reúne vários grandes mundos. Está praticamente no centro, na Praça Dr. António Padinha, mas é tranquilo e intimista.

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É moderno nos seus interiores, mas guarda traça e traços de sempre, em particular na fachada, num trabalho de recuperação que perpetua a herança de quando foi o Palácio dos Tavares, mais concretamente em pleno século XVIII. A este espaço de sempre, foi acrescentada uma nova ala que, mal entramos, nos remete para outros lugares, ou não evocasse uma medina, com paredes caiadas de branco, passeios e nichos que são como pequenos labirintos e atrás dos quais se escondem quartos de maior privacidade, com chuveiros em terraços privados. 36, os quartos, no total e que, apesar de seguirem a mesma linha em termos de decoração, acabam por ser todos diferentes.

Palácio de Tavira

Reza a história que, mais do que uma simples residência, o Palácio dos Tavares ocupou um lugar central na cultura e sociedade locais, tendo sido ponto de encontro da vida aristocrática, palco de recepções à sociedade algarvia, lugar de celebrações e de discussões políticas. Agora, a discussão gira em torno do saber receber.

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Bem no centro da praça, é desde logo impossível não reparar na enorme porta encarnada que se abre para a escadaria em pedra, ponto de destaque de quem chega e por ali fica. À esquerda, o lobby, recepção que dá as boas-vindas numa informalidade formal; ao fundo, o bar; ao longe, o Spa; e, contornando, o restaurante que é outra peça-chave em tudo isto.

O hotel confere ter nascido «a partir das marcas identitárias da cidade que o rodeia, que vai beber aos tons da arquitectura local e da natureza, onde se destacam, por exemplo, a Ria Formosa, a dar o mote para uma escolha de materiais decorativos em tons quentes». Elementos e tonalidades que se espalham e destacam nos diferentes espaços, num projecto de arquitectura assinado pelo atelier português Fragmentos e com decoração de interiores de Isabel da Câmara Pestana.

Subindo então a escadaria, há duas opções: ou ficar na casa senhorial, ou seguir em frente e optar por um dos quartos mais privados na «medina». Apesar de diferentes, em todos, os 36, há tons quentes nos móveis, azulados a evocar a ria, e verdes, assim como há madeiras e rattan. Só para ter uma ideia, os quartos Palácio têm tectos altos, estando alguns virados para a praça central, outros para a Medina e outros para o pátio interior. Já os 16 quartos Medina, todos com o chão em cerâmica de Santa Catarina, estão distribuídos pelas tais zonas escondidas que lhes conferem conforto redobrado, além de que todos têm o seu pátio privado, havendo alguns casos em que o mesmo fica no topo do quarto, o que permite alguma vista sobre os telhados e casario da cidade.

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Comida para o corpo e a alma

Desde que chegámos ao Palácio Tavira, sabíamos que não poderíamos deixar de ir ao Mirsal, o restaurante do hotel trabalhado pelo chef Fábio Domingues, natural da terra. Quis o chef, e ainda bem, que os sabores da região passassem pela mesa, pelo que é claro que há ostras, assim como há atum ou açorda de carabineiro. E apesar de a comida ser de autor e os pratos com design de chef, os sabores estão lá todos, numa linha autoral que segue os princípios mediterrânicos. «O chef aposta muito na raiz portuguesa e numa forma também sua de estar: a cozinha de proximidade, o contacto directo com o cliente, o receber com gosto, de forma simples e elegante», dizem-nos. E conferimos, é verdade.

Entre os destaques do menu, que pode evoluir e ajustar-se em função do que chega da lota ou do campo, há o tártaro de atum-rabilho com especiarias, o lombo de corvina com arroz de fumados ou o borrego com couscous cítrico. Fábio Domingues, nascido na terra, estudou na Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, passou por várias cozinhas de Portugal e Espanha, entre o Vila Joya, Ocean, ou o El Celler de Can Roca, antes de partir em viagem. Seguiu para o Luxemburgo, esteve com Martín Berasategui em Tenerife, viveu em Maiorca, trabalhou a alta rotação em Londres, esteve em Saint Barthélemy, nas Caraíbas, e agora volta às origens, para mostrar tudo aquilo que entretanto aprendeu, mas cruzando com a sua própria história e memória.

Pelo meio disto, há um pequeno oásis, ou Spa, o Luma Wellness, onde apenas dizemos que não pode deixar de ir. Cristina é a mulher à frente da operação e que nos cuida do corpo e da alma. Não só sabe o que faz, como gosta do que faz e, isso, faz toda a diferença. O tratamento pode ser standard, mas a sua abordagem à pessoa é individual. Porque só assim, diz, é que faz sentido. Tratar de costas doridas ou de coração sofrido, de pernas cansadas e de alma triste, não há nada que escape à sensibilidade de quem fez disto opção de vida, para a vida.

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Na génese de cada proposta está a aromaterapia, feita com produtos da marca Ignae, combinados com sais marinhos e óleos essenciais, que juntam ingredientes locais, como as amêndoas doces, a laranja, a esteva, a lavanda, o alecrim ou a bergamota. Por ali há duas salas de tratamentos, uma zona de relaxamento com vista para o jardim interior do hotel, sauna e banho turco. E uma alma maior que gosta de cuidar!

Além das massagens mais tradicionais, há tratamentos mais holísticos, como a reflexologia, a massagem com taças tibetanas ou os tratamentos faciais e corporais com a marca Ignae. Um «refúgio» pequeno que nos devolve vida, com uma doce dose de vida.

Um convite a experiências

«Pela localização no coração de Tavira e pelo papel que, em tempos, o edifício representou na cidade, há um conjunto de experiências com parceiros locais que são um convite a desbravar a cidade e os arredores. Entre elas contam-se as visitas às salinas de Castro Marim; os passeios a cavalo na Ria Formosa (no Verão) ou na praia (no Inverno); provas de vinhos da região; um passeio para conhecer as produções, a apanha e a prova de ostras na zona; passeios de barco até à Ilha de Tavira; passeios a pé na natureza; e uma visita cultural e histórica em Tavira ou outros locais de património do Algarve.»

Este artigo faz parte da edição de junho (n.º 358) da Marketeer






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