Mulheres com Tomates discutem a gastronomia no feminino

Há um elevado número de mulheres no mundo da gastronomia, simplesmente não estão nos postos mais mediáticos. E têm de se esforçar mais para verem o seu trabalho reconhecido. Estas foram algumas das ideias debatidas no evento Mulheres com Tomates, que reuniu sete personalidades femininas para discutir um sector onde a presença masculina prevalece.

À conversa estiveram Alexandra Prado Coelho (jornalista gastronómica do Público), Ana Carrilho (responsável do azeite Esporão), Constança Raposo Cordeiro (barmaid), Graça Saraiva (fundadora da Ervas Finas), Maria Canabal (jornalista e presidente do Parabere Forum), Marlene Vieira (chef) e Rita Nabeiro (CEO dos Vinhos Adega Mayor).

A chef Marlene Vieira partilhou alguns episódios do seu trajecto no universo gastronómico, onde o seu género gerou discriminação no local de trabalho. «Num hotel de 5 estrelas, tive um episódio em que chefs foram-se embora porque recusaram-se a trabalhar numa equipa comandada por mim. Na altura tinha 26 anos mas foi um embate muito forte, que me fez crescer», refere.

A barmaid Constança Raposo Cordeiro explica que, no universo da cocktelaria, a entrada das mulheres é fácil, o que é um trunfo negativo. Todavia, têm de trabalhar muito mais para provarem que merecem estar naquela função e ganharem o respeito dos colegas masculinos.

Maria Canabal refere que esta discriminação não deveria acontecer, muito menos tendo em conta todos os valores por detrás da gastronomia. «As refeições são momentos de reunião, de convívio à mesa, onde ninguém fica de fora. E na gastronomia tem de ser igual. Uma mulher não pode ser preterida apenas por ser mulher. É uma questão de talento. E o talento não tem género: ou se tem, ou não», sublinha a jornalista, que refere ainda que as mulheres não têm de demonstrar mais trabalho que os homens, pois não têm nada a provar.

Rita Nabeiro explica que, referente a esta temática, há muitos desafios pela frente mas estão nos pequenos detalhes. «As diferenças entre homens e mulheres estão cada vez mais atenuadas mas continua a existir um tratamento diferencial que magoa. Temos de expressar o que sentimos e ser assertivas. Há um livro que se refere aos homens como warriors e às mulheres como worriers. Temos de demonstrar que somos warriors também, mas continuar a ser preocupadas, a ser nós próprias e a acrescentar valor», refere a CEO da Adega Mayor.

Ana Carrilho finaliza referindo que «não temos de ser iguais aos homens, temos apenas de ter competências para desempenhar as mesmas funções».

Mulheres com tomates: Alexandra Prado Coelho (Jornal Público), Ana Carrilho (Esporão), a barmaid Constança Raposo Cordeiro, Graça Saraiva (Ervas Finas – Segredos que se comem), a jornalista Maria Canabal, a chef Marlene Vieira e Rita Nabeiro (Adega Mayor) discutem a gastronomia no feminino

Publicado por Revista Marketeer em Quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Texto de Rafael Paiva Reis

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