Morte por ChatGPT

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André Ferreira, consultor de Marketing
23/08/2023
21:09
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23/08/2023
21:09
Morte por ChatGPT

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Por André Ferreira, consultor de Marketing

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O Chat GPT é um sistema de inteligência artificial.

É capaz de criar código de programação, escrever textos de todo o tipo (incluindo livros), fazer verificações matemáticas, ter conversas filosóficas, e toda uma outra miríade de tarefas…

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Após cinco dias de ter sido lançado, em Novembro de 2022, já tinha um milhão de utilizadores.

Em Junho de 2023, atingiu os cem milhões, e teve quase dois mil milhões de acessos.

Assustador, não é?

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Mostra que o mundo está cada vez mais automatizado.

O que, por sua vez, levanta uma questão muito importante:

“Se tudo está mais automatizado… o que resta para nós fazermos?”

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Acredito que apesar de assustador, este é um insight importante acerca do nosso futuro profissional.

Se as “tarefas” estão cada vez mais automatizadas, então o valor das mesmas é cada vez menor.

Todos os empregos que se foquem em operações (sobretudo operações repetidas) irão desaparecer, ou pelo menos tornar-se-ão cada vez menos relevantes.

Se os robôs são capazes de fazer melhor quaisquer tarefas repetidas, o nosso ponto diferenciador passa de “como fazemos” para “o que fazemos”.

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A nossa diferenciação passa da competência para o meta-conhecimento.

Passa para a nossa capacidade de aprender e usar rapidamente ideias e informações novas de forma a chegar a soluções criativas.

Ou seja, se queremos vencer os robôs e os ChatGPTs da vida, precisamos de aprender a aprender melhor.

Como fazê-lo?

Um dos modelos mais populares sobre a forma como o ser humano aprende é o “cone de aprendizagem”.

Um modelo que relaciona a nossa capacidade de retenção com o nosso nível de envolvimento.

Em suma, diz-nos que retemos:

  • 5% das palestras que ouvimos
  • 10% do que lemos
  • 20% dos vídeos que vemos
  • 30% das demonstrações que fazemos parte
  • 50% do que discutimos com outros
  • 75% do que praticamos
  • 90% do que ensinamos

No entanto, a maior parte de nós não é professor e não tem a quem ensinar.

Por isso, o melhor que podemos fazer é praticar – interagir com o material à nossa disposição.

O que, na prática, se resume a ter ideias sobre as ideias com que entramos em contacto.

Pensar e interagir com ideias de forma deliberada e intencional origina questões, questões essas que usualmente desbloqueiam outros pensamentos relevantes e úteis para os problemas que temos em mãos.

Ou seja, ao pegar na nova informação e traduzi-la para as nossas próprias palavras, tornamo-la nossa.

Passa a ser parte das nossas ferramentas mentais.

É por isso que temos de ter ferramentas que nos ajudem a pensar, e a melhor que temos ao nosso dispor é simplesmente escrever.

Caneta, bloco, computador, etc., tudo serve.

Escrever formaliza os nossos pensamentos.

Obriga-nos a clarificar abstrações, usar palavras em vez de imagens ou sensações, e dá-nos uma vista de topo sobre as relações entre ideias – ajuda-nos a identificar erros de raciocínio.

Torna-se mais fácil perceber se os nossos argumentos são bons e se as decisões fazem realmente sentido – além de que se torna mais fácil partilhar as nossas ideias com outras pessoas.

Concluindo, para nos diferenciarmos no mercado de trabalho a criatividade e pensamento crítico são cada vez mais importantes.

Escrever é a melhor ferramenta que temos à nossa disposição para testarmos a qualidade das informações que recebemos e das ideias que temos.

Para ter sucesso no mercado de trabalho precisamos de pensar bem e para pensar bem precisamos de escrever.






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