Marketing durante a quarentena: adeus, campanhas programadas

Esta não é a altura para seguir os planos ou lançar as campanhas previstas. As estratégias de Marketing precisam de ser repensadas, tal como sublinha Kristen Ruby, CEO do Ruby Media Group. Num artigo para a Adweek, a profisisonal refere que também as marcas estão de quarentena – embora, neste caso, a prevenção não passe por lavar as mãos.

«Esta é a altura em que a formação em comumicação de crise será valiosa», afirma Kristen Ruby, lembrando que as agências estão mais habituadas a lidar apenas com pequenas crises de reputação, por exemplo. Com o novo coronavírus, também o desafio é novo: estamos perante uma crise que irá durar no tempo e que ajudará a perceber, no mundo das agências, quem são os profissionais e quem são os amadores.

Segundo a CEO do Ruby Media Group, as agências que não estão preparadas para lidar com uma situação como estar irão manter as publicações ou tweets agendados, bem como todos os conteúdos que já tinham pensado. «Como se ainda vivessemos num ambiente digital pré-coronavírus», indica.

Kristen Ruby considera que o caminho deve ser outro: haverá alturas em que as marcas terão simplesmente de ficar caladas e outros momentos em que fará sentido partilharem algo com os seus seguidores e clientes. Por muito bonita que esteja a imagem que demorou o último mês a preparar, o melhor será guardá-la para outra altura.

«Temos de compreender as necessidades em mudança dos consumidores e o seu estado emocional. E temos de levar isso em consideração quando comunicamos com eles», frisa a responsável. «Se as pessoas estão com medo, agora não é a altura de fingir que não estão», o que também não significa que seja boa ideia tentar rentabilizar ou promover o medo e o pânico.

Kristen Ruby indica ainda que as pessoas guardarão na memória a forma como as marcas se comportarem agora. O risco de uma associação negativa é maior do que uma possível associação positiva: «Se não têm nada para contribuir para a conversa, fiquem calados. É melhor fica calado do que contribuir para o barulho.»

No caso de empresas do sector do turismo, por exemplo, será mais relevante garantir um bom apoio ao cliente do que promover destinos paradisíacos.
Para as restantes empresas, que tal dedicar o tempo aos projectos que têm ficado para trás devido à necessidade de alimentar as redes sociais diariamente? Kristen Ruby sugere, por exemplo, investir na optimização de SEO ou no desenvolvimento de materiais de relações públicas (actualizar números e a apresentação do negócio).

A quarentena pode servir também para dar uma nova vida ao site da marca e garantir que está em linha com os seus objectivos e propósito. Por fim, o tempo extra pode ser sinónimo de organização: as mil fotos que tão guardadas de diferentes eventos de um cliente podem, finalmente, ser ordenadas e classificadas.

«Esta é uma boa chamada de atenção e um lembrete aos profissionais de marketing de que a estratégia ainda é importante», conclui.

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