Marcas recolhem dados dos consumidores. E depois?

Numa altura em que as marcas têm a possibilidade de obter dados através de uma multiplicidade de canais, importa saber o que fazer a esses mesmos dados. Segundo Sofia Couto da Rocha, CTO da Lusíadas Saúde e CEO SkinSoul, «dados e informação são coisas diferentes», já que saber que há determinado número de pessoas de certa região ou faixa etária não representa, por si só, grande valor.

«Ter dados mas não processá-los não dá informação, nem conhecimento», explica a responsável no primeiro dia do i-Data Meeting, evento organizado pela IFE by Abilways que visa contribuir para a literacia na área dos dados. Numa apresentação em vídeo que decorreu esta manhã, Sofia Couto da Rocha deixou claro que informação são dados processados e analisados e só uma abordagem deste tipo permite identificar novas oportunidades de negócio.

«Falar de dados em medicina é core porque nós, idealmente, deveríamos tomar todas as decisões com base em dados», indica ainda a profisional. «E, como tal, é impossível não pensar em como ter acesso a dados e em como utilizá-los», adianta Sofia Couto da Rocha, sublinhando que há muita tecnologia já aplicada noutras áreas mas que demora mais tempo a chegar ao sector da saúde – por norma, devido a questões legais ou éticas.

A CTO da Lusíadas Saúde acredita que o valor dos dados «é a grande discussão deste século», pautada por várias tendências, entre as quais a utilização de wearables – desde pulseiras Fitbit a balanças – para obter novos indicadores sobre a população.

De que valem os dados sem tratamento? Informação só se consegue com know-how

Flávio Guerreiro, country manager da empresa de logística LPR, apresenta uma visão semelhante à de Sofia Couto da Rocha. Também presente no primeiro dia do i-Data Meeting, sublinha que os dados precisam de ser acompanhados de ferramentas e conhecimento especializado para que possam ser transformados em insights preciosos.

«Muitas vezes, tomamos decisões sem grande fundamento, com base na experiência e na sensibilidade. No entanto, nada é mais seguro do que termos dados, nem que os dados só venham comprovar de facto que a nossa percepção estava correcta», conta Flávio Guerreiro.

Cândido Martins, Executive & Innovation manager da Cachapuz, também acredita que a data science (ou ciência dos dados) pode contribuir para a construção de mapas e tendências orientadores do negócio. De acordo com o profissional, só uma análise integrada permite criar planos de actuação adaptados e de evolução e rentabilização continuada.

«Com base na nossa experiência, temos um sistema logístico mais cooperativo e que trabalha em tempo real, para promover a visibilidade, integração, segurança, controlo e automação. Para que todos os dados disponíveis nesta cadeia de fornecimento possam originar novos modelos de negócio, mais eficazes e muito mais rentáveis do que os actuais», conta.

Cândido Martins lembra ainda como a quarta revolução industrial, assente na digitalização das empresas, é já uma realidade. Acelerada pela pandemia de COVID-19, «tem um impacto enorme sobre o próprios negócios». Diz o responsável, que as pessoas estão mais tecnológicas e que todas as gerações adoptaram novos comportamentos neste sentido. Por isso mesmo, «as empresas que já estavam anuma fase de digitalização são as que estão melhor preparadas para fazer face a esta mudança».

O Executive & Innovation manager da Cachapuz aproveita também para dar conta de algumas tendências tecnológicas que servem de pano de fundo à actuação das empresas: das compras online aos pagamentos contactless, passando pelo trabalho remoto, drones/robótica, cadeia de abastecimento e logística. Saúde e entretenimento também são temas-chave.

«Não há dúvida de que esta pandemia veio acelerar esta tendências tecnológicas, que têm como base as infra-estrutuas de comunicação. Estão muito dependentes delas para ter sucesso», sublinha.

Texto de Filipa Almeida

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