Mais ou menos, ou um manifesto contra a mediania!

M.ª João Vieira Pinto
Directora de Redacção Marketeer

Nunca gostei do “mais ou menos”. O “mais ou menos” é como o “se”. Não existe. Não é carne nem peixe. Não é amor ou ódio. Está para ali no limbo. O jantar foi bom? Mais ou menos… porque se trocava de companhia ou o prato vinha frio? Dormiste bem? Mais ou menos… porque se teve insónias ou a cama era dura? No essencial da vida, não há mais ou menos. Há mau ou bom. Ou então não devia haver. Não há amigos mais ou menos. Ou são amigos, dos que estão, ou são qualquer outra coisa.

Não há casamentos mais ou menos. Pode haver partilha, respeito, companhia, mas ou há ou não há. Casamento, claro.

Assim como não há livros mais ou menos. Ou a literatura é boa ou é de folhetim. Carros mais ou menos? De todo. Há os bons… e, depois, há os outros.

Não temos filhos mais ou menos, pais mais ou menos.

Pronto, tenho mau feitio, eu sei. Sou contra a mediania, apesar de ser classe média. Acredito que só o que se faz bem e com valor é que vence, pelo menos a prazo. Que há cada vez menos espaço para o faz-de-conta, o arranjinho, o dar um jeito, o desenrasca. Que essa tal mediania não educa nem forma, antes disforma.

Que é melhor ser mau e querer crescer do que ficar pelo espaço médio, todo o tempo. Que a desculpa tem perna curta. E que há sempre quem tenha pernas maiores que as nossas para nos ultrapassar na primeira curva em que perdermos a atenção. É assim quando não se quer sair do meio. Ah, deixa lá, para a próxima faço melhor, a culpa não foi minha, deve ter feito alguma coisa para passar à frente.

Só que não. O mundo ensina-nos que ele, o mundo, não é dos fracos. Às vezes é dos espertos, é verdade. Mas, vá lá, até para se ser esperto tem que se ser bom!

Aqui, na Marketeer, também não gostamos do nível médio. Um 10 ou um 12 numa escala de 0 a 20 não é para nós. Nesta edição em quem celebramos o nosso 25.º aniversário – é verdade, acabámos de festejar as Bodas de Prata -, fomos avaliar tendências para 2021 e consultar responsáveis de diferentes áreas. Num dos anos mais desafiantes que temos – porque já sabemos como foi o passado mas mantemo-nos no cinzento em relação ao futuro -, o que todos partilham e defendem é que só dos melhores rezará a história. Ou, como diria um dos nossos convidados a participar no tema de capa desta edição (Francisco Véstia), deixou de haver espaço para verbos de encher!

Nós, por cá, queremos continuar a escrever histórias de marcas e a fazer história nos media, em Portugal. Sem verbos de encher! Por isso, continuem connosco, os que nos seguem e nos lêem, quem nos patrocina e apoia, quem investe e nos sustém. Ajudem-nos sempre a manter-nos vivos e, claro, a saber ser relevantes.

Pelo menos, para mais umas Bodas!

Editorial publicado na revista Marketeer n.º 294 de Janeiro de 2021

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