Intermarché condenado por comunicação enganosa

O retalhista francês Intermarché foi condenado pela Autoridade Francesa para a Regulação da Publicidade Profissional (ARPP), por afirmações falsas no que respeita ao pescado sustentável. O Intermaché viu-se assim obrigado a retirar a publicidade onde afirma que o pescado que vende é capturado de forma sustentável.

A Bloom Association, associação francesa sem fins lucrativos, contestou o anúncio onde a empresa comunicava aos seus consumidores que a sua frota de profundidade, Scapêche, usava práticas sustentáveis de pesca.

A ARPP aceitou a contestação e declarou que o anúncio era “enganador nas suas afirmações de sustentabilidade e que as práticas de pesca da companhia não contribuíam para ‘a preservação e renovação dos recursos marinhos’ tal como o Intermarché afirmava”, informou a entidade em comunicado.

Paralelamente, a empresa Intermarché foi também alertada para o facto de o seu rótulo que anunciava “Pesca Responsável” ser muito semelhante ao rótulo MSC da Marine Stewardship Council, o que poderia confundir os consumidores. Desta forma, a ARPP ordenou a suspensão dos anúncios do Intermarché.

«Esta decisão é um importante alerta para a indústria pesqueira, de que o arrasto de fundo não pode ser rotulado como “sustentável”», afirmou Matthew Gianni, co-fundador e assessor de política da Deep Sea Conservation Coalition. «Esperamos que esta sentença convença o Intermarché a desistir do negócio do arrasto de fundo, dado o prejuízo que esta pesca causa na sua reputação», reforçou.

Estudos recentes demonstram que o arrasto de fundo tem maior impacto negativo nos fundos marinhos do Atlântico Nordeste do que todas as outras actividades combinadas. Além disso, esta prática é responsável pela diminuição de todas as comunidades de espécies de profundidade.

Nos próximos meses a Comissão Europeia poderá apresentar uma proposta de revisão da legislação de gestão de pescarias de profundidade da União Europeia.

“A interrupção do arrasto de fundo nas águas europeias será a maior vitória para a conservação das espécies e ecossistemas vulneráveis dos fundos marinhos”, rematou Matthew Gianni.

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