A inteligência artificial está a transformar a experiência de pessoas cegas, permitindo-lhes aceder a informação visual sobre os seus próprios corpos, algo que até há pouco tempo era praticamente impossível. Estas tecnologias começam agora a revelar impactos emocionais e psicológicos ainda pouco estudados.
Aplicações como Be My Eyes ou sistemas desenvolvidos pela empresa Envision utilizam reconhecimento de imagem e inteligência artificial para fornecer feedback detalhado sobre aparência, maquilhagem, roupas e até padrões de beleza convencionais, escreve a BBC. Para muitas pessoas cegas, estes “espelhos virtuais” representam uma oportunidade inédita de autoavaliação e contacto com normas estéticas que lhes estavam vedadas.
A tecnologia permite não apenas descrever cenas ou fotografias, mas também fornecer comparações, sugestões e avaliações, oferecendo aos utilizadores uma perceção mais concreta de si próprios e do mundo que os rodeia. O avanço é recente: há apenas alguns anos, a ideia de uma IA capaz de fornecer feedback crítico em tempo real parecia ficção científica.
Apesar das vantagens, especialistas alertam para os riscos associados. A IA tende a reproduzir padrões de beleza idealizados e ocidentais, o que pode gerar insatisfação corporal e aumentar a pressão estética, sobretudo quando os utilizadores comparam a sua imagem com uma versão “perfeita” determinada pelo algoritmo.
Além disso, a tecnologia ainda não consegue contextualizar plenamente as descrições. Os utilizadores recebem apenas informações visuais, sem considerar fatores culturais, subjetivos ou experiências pessoais, o que pode limitar a compreensão completa de si próprios.













