Inês Veloso: «O paradigma do trabalho mudou sem pedir licença»

O que ficará depois deste “buraco negro” do novo coronavírus? Que marcas iremos ter? E como é que passarão a estar e a comunicar? Não sendo possível qualquer previsão clara e certa, fomos, contudo, tentar perceber de que forma é que algumas das maiores empresas e marcas em Portugal estão a reagir e como esperam sair do momento mais crítico de todos os tempos, a nível mundial. Vamos todos dar a volta?

Inês Veloso, directora de Marketing e Comunicação da Randstad

O que está a ser feito, neste momento, para que a sua marca não perca relevância? E depois deste “buraco negro”, a sua marca será a mesma?

A marca Randstad é associada a recrutamento e este é um território que temos tentado alargar nos últimos anos porque o recrutamento é apenas um dos nossos produtos. Um desafio que não tem sido fácil, considerando a “imaturidade” do sector dos recursos humanos, que ainda se posiciona de forma muito transaccional e também porque os nossos canais digitais são plataformas de e-commerce, geridos com foco nas “vendas”, ou seja, na conversão de candidaturas, restando menos espaço para ocuparmos o território do talento e de toda a cadeia de valor da gestão de pessoas.

Claro que esta limitação está relacionada também com o budget que está focado principalmente em campanhas para perfis de recrutamento muito diferentes. Esta limitação não nos tem permitido reforçar a nossa presença num território mais abrangente, ou em entrarmos noutros formatos. Mesmo assim, nos últimos anos, temos estado focados neste objectivo estratégico ao trazer para Portugal há 5 anos o conceito de employer branding, ao ir para o campo da música marcando presença nos festivais e ligando a nossa marca a momentos de felicidade e de talento.

Esta estratégia não mudou.

A nossa relevância como marca, hoje mais do que nunca, está a ser reforçada. O paradigma do trabalho mudou sem pedir licença e foi global. O trabalho remoto teve simplesmente de acontecer, sem regras, sem preparação, sem possibilidade de voltar atrás. Todos têm de ficar em casa e os heróis (im)prováveis estão na rua e muitos são nossos trabalhadores.

Tudo mudou. O recrutamento, o onboarding das empresas, a gestão de equipas e até as medidas mais drásticas de redução de pessoas. A necessidade de especialistas por substituições repentinas, a gestão emocional do eu, do eu com os outros e do eu com a organização. Para a nossa marca este é um momento de afirmação territorial que estamos a trabalhar com a campanha #EstamosAqui. Uma campanha que trabalha quatro pilares principais: entrevistas a candidatos (validar pessoas, estar com elas, continuar a encontrar oportunidades e preparar para o ramp up), recrutamento (preparar o candidato digital, o que inclui entrevistas de forma remota, como ser especialista online e gestão de CV), gestão de pessoas (todos os desafios para profissionais e não profissionais de recursos humanos com temas como engagement, liderança, comunicação, cultura e os desafios multigeracionais que são acentuados) e, por fim, o tema do equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e a sua relação
com o employer branding (desafios que alguns passam mais para o lado do trabalhador, mas que têm de estar alinhados com a marca da empresa).

#EstamosAqui é uma campanha com várias frentes e que corre contra o tempo para criar conteúdos, para ser relevante. Uma campanha que tem de existir porque não podemos deixar que este vírus nos tire tudo e esta é a nossa responsabilidade.

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