H&M transforma calças velhas em vestidos reciclados

Circulose é o nome do novo tipo de tecido que a H&M irá utilizar para dar vida a vestidos amigos do ambiente. Desenvolvido pela startup Renewcell, este material tem por base velhos pares de jeans que são, depois, transformados em fios para a produção de peças de roupa.

O primeiro fruto desta colaboração será um vestido, que deverá servir de bandeira para as características distintivas do circulose. Segundo a Renewcell, os materiais até aqui utilizados para criar roupas recicladas eram de fraca qualidade, fazendo com que esta não fosse uma opção apelativa para os consumidores. O circulose, por seu turno, apresenta-se como uma solução com a textura e resistência de algodão ou seda.

Em declarações à Fast Company, Harald Cavalli-Björkman, Chief Marketing Officer da Renewcell, adianta que a ambição passa por alargar a utilização do circulose a todo o sector: «Queremos que esta indústria toda mude para materiais circulares e que comece a desvanecer o recurso a materiais virgens, seja algodão ou polyester.»

No caso do vestido da H&M, a etiqueta indicará 50% de calças de ganga recicladas e 50% de madeira recolhida de florestas de gestão sustentável. O objectivo será conseguir desenvolver uma peça totalmente reciclada ainda este ano mas, para já, fica pela metade.

Integrado na colecção “Conscious Exclusive” da H&M, o vestido chega às lojas na Primavera e deverá custar 149 dólares (cerca de 135 euros). No entanto, Harald Cavalli-Björkman garante que o circulose é um material competitivo em termos de custo.

Críticas e acusações de “greenwashing”

Nem todos parecem satisfeitos com a novidade da H&M. Segundo adianta o jornal britânico Independent, a marca de moda está a ser criticada e acusada de “greenwashing” – termo utilizado para descrever acções de empresas que tentam mostrar-se muito ecológicas quando, na verdade, estão entre os principais poluidores do mundo.

A activista Venetia La Manna acredita que este é apenas mais um exemplo da H&M neste sentido. Em entrevista ao Independent, sublinha que a aposta no circulose melhora a imagem da marca perante o público, já que este é um material à base de desperdício, adequado para vegans, durável, biodegradável e sem toxinas.

«Com isto em mente, é uma pena saber que a [empresa responsável pelo] circulose escolheu colaborar com a H&M num fio tão entusiasmante, circular e inovador. A moda sustentável precisa, absolutamente, de ser acessível para o maior número de pessoas possível. O modelo da fast fashion nunca atingirá a tão importante meta da pegada zero de que precisamos», comenta a activista.

O foco, afirma, deve estar na redução do consumo e no abrandamento da produção, em vez de na introdução de novos materiais. «Em última instância, a quantidade de artigos produzidos pela H&M está a causar danos irreversíveis ao planeta e à população e supera por completo os seus esforços sustentáveis. (…) Moda tão rápida nunca poderá ser sustentável», garante Venetia La Manna.

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