Há peixe fresco. Sublime

Fui várias vezes à Comporta. E algumas ao Pôr do Sol, um restaurante de praia quase tasca pela simplicidade do espaço e de quem recebia, onde o que chegava à mesa era maioritariamente do mar, mas com sabor a aconchego, e onde há cerca de um ano partilhei com a minha filha o jantar de último dia de férias de Verão.

O mês passado voltei à mesma praia do Carvalhal. Só que, agora, já não ao Pôr do Sol. Em sua vez, as portas que se abrem são as do Sublime Comporta Beach Club.

O Sublime Comporta, o hotel, existe desde 2014. Ganhou espaço, notoriedade e clientes fiéis pela diferença. O desejo dos sócios sempre foi o de ter uma extensão da marca junto ao areal, como partilhou com a Marketeer Gonçalo Pessoa. Este ano conseguiram-no ao adquirirem, lá está, o Pôr do Sol (a 10 minutos de carro do hotel) que transformaram no seu Beach Club em jeito de cabana de praia sofisticada. Não, não se assuste que o espírito é descomplicado e são três as áreas por onde pode optar. Mas já lá vamos!

Quando se chega, o ambiente convida a entrar. E, aí, a culpa é do arquitecto José Alberto Charrua e da Andringa Studios que assinou o Design de Interiores. “As madeiras que cobrem as paredes remetem para as cabanas no cais palafítico, o colmo no telhado é típico das cabanas da Comporta, o tecto interior mimetiza o trabalho tradicional de cana da Comporta, mas utiliza corda de sisal natural. Os lavatórios são de pedra, fazendo lembrar rochas e as esculturas seleccionadas são feitas de conchas.” É tudo verdade, lindo e instagramável. Assim como o barco de pesca aproveitado, logo à entrada do restaurante, para quem quer estar por ali mas dispensa sentar-se formalmente à mesa. Ou as paredes do chão ao tecto que fundem e cruzam todos os ambientes, que deixam entrar os azuis do mar e toda a luz exterior.

Fomos ao Sublime Comporta Beach Club na semana seguinte à sua abertura. Casa cheia, pelo que tivemos que aguardar uns minutos no bar exterior. Não se preocupe se isso lhe acontecer porque está-se bem e a oferta é alargada, dos gins ao vinho.

Já no interior, o que se “respira” é uma sensação de outras paragens. Sim, eu sei que houve a preocupação pelos materiais da região, mas se for lá e se sentir que está numa qualquer outra geografia, não pense que é o único.

Carta na mão – desenhada pelo chef Hélio Gonçalves que se juntou ao Sublime Comporta em Janeiro de 2020 vindo de Singapura onde trabalhou no Restaurante Iggys (1 estrela Michelin) como chef executivo -, não é rápida a escolha. Porque há várias entradas quentes e frias (que podem perfeitamente funcionar como refeição) tão variadas como amêijoas, peixinhos da horta, guacamole, ceviche ou tataki. Ficámos pelos peixinhos e o tataki de atum, com a preferência a recair no segundo.

Depois, claro, há o inevitável peixe grelhado da costa Atlântica, ostras e marisco e carne grelhada. Fomos para o peixe. Não é barato, não vale a pena dizer que é. Mas o que vale a pena é pedi-lo e perceber como ainda há quem saiba tratar o melhor peixe do mundo com a dignidade que ele merece.

A carta de vinhos, elaborada por Raul Riba D ́Ave, tem portugueses e do mundo, que combinam com os pratos. Em caso de dúvida, peça ajuda que ela vem.

Ah, e já agora não saia sem provar as sobremesas. Sim, pequei em duplicado, com um semi-frio de lima-limão e uma tarte de caramelo salgado. Mas um dia não são dias e não houve arrependimento.

 

Texto de M.ª João Vieira Pinto

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