Terra de Esperança: sementes de energia por um futuro mais verde

O Movimento Terra de Esperança comemorou dois anos em Novembro. A efeméride foi assinalada com um vasto conjunto de iniciativas de reflorestação, que permitiu a plantação de mais de 100 mil árvores durante todo o mês, de norte a sul do País, com o apoio de cerca de 4500 voluntários de escolas e associações de 14 municípios. Um mês intenso, que incluiu uma espécie de regresso às origens. Mais concretamente ao Pinhal de Leiria, um dos primeiros locais onde, em 2017, o Movimento criado pela Fundação Galp, em parceria com a ANEFA, arrancou com o ambicioso projecto de plantação de 500 mil árvores em todo o País.

Dois anos depois, mais de 500 voluntários voltaram a pôr mãos à obra na Mata Nacional do Urso, na zona Norte do pinhal, que ardeu na sua quase totalidade nos fatídicos incêndios de 2017. E foram plantadas mais 12 mil árvores, contribuindo assim para reflorestar a zona e aumentar o impacto de um projecto que se alimenta da energia do voluntariado para espalhar sementes de crença num futuro melhor e mais verde.

Os incêndios de 2017 podem parecer uma memória distante, mas estão muito presentes na vida colectiva do País: o ano em que mais floresta ardeu em Portugal na última década, devastou hectares de território, ameaçou fauna e flora, destruiu vidas e famílias.

Perante a tragédia, o País mobilizou-se, solidarizou-se com as vítimas, procurou respostas para o sucedido e ensaiou soluções. A sociedade civil disse “presente” na preparação do futuro e foi nesse contexto que a Fundação Galp avançou, em parceria com a ANEFA, abraçando a proposta da Galp de oferecer 500 mil árvores para reflorestar o País de norte a sul, numa tentativa de repor habitats e paisagens, de reconstruir cenários que eram a casa de muitos.

Um pequeno gesto para um grande resultado

Coimbra foi o distrito mais afectado pelas chamas e a aldeia de Cebos, em Arganil, foi a primeira a receber a energia de cerca de meio milhar de voluntários Galp, onde mais de 13 mil árvores ganharam vida através desta união de forças. Forças estas que Paula Almeida Mendes, voluntária Galp que faz parte da Terra de Esperança desde a sua primeira reflorestação, diz serem precisas para enfrentar cenários como o daquele Verão. «Vamos sempre com muita vontade de trabalhar e com alegria nos autocarros logo de manhã, mas, à medida que nos vamos aproximando do local, aquela visão de quilómetros e quilómetros de mata negra, a saída do autocarro e o cheiro a queimado… ver na televisão é uma coisa, estar lá é outra.»

Foi assim que Paula descreveu o primeiro grande impacto de participar numa acção de reflorestação, salientando que o propósito e a união vencem sempre, levando as mais de 500 pessoas a rapidamente arregaçarem as mangas e a porem mãos à obra. «A experiência foi incrível. Assim, num estalar de dedos, dividem-nos em equipas, dão-nos tarefas e a partilha e a vontade de ajudar relembram-nos porque estamos ali, e a alegria volta.»

O projecto começou aqui e continuou depois por Portugal inteiro. Até aos dias de hoje. Seguiram-se o Pinhal de Leiria, Sines e Santiago do Cacém, Arganil, e tantos outros municípios, de norte a sul do País, num total de 15 distritos que são já Terra de Esperança.

A última grande acção, que celebrou os dois anos deste caminho, teve lugar na Mata Nacional do Urso, um prolongamento do Pinhal de Leiria, onde foram plantadas mais de 12 mil árvores em conjunto com a população local e voluntários de vários pontos do País.

Uma iniciativa que simboliza o espírito deste movimento: os seus voluntários e a acção de cada um a força motora desta causa.

Como afirma Joana Garoupa, directora de Marketing e Comunicação da Galp, «hoje é um bom dia para plantar uma árvore». E acrescenta: «Pode parecer apenas um pequeno gesto, mas se formos muitos a abraçar esta causa, no fim do dia perceberemos que é possível construir uma floresta: basta acreditar e pôr mãos à obra.»

280 mil árvores já plantadas

O desafio lançado pela Fundação Galp tem sido abraçado por miúdos e graúdos. Volvidos dois anos, a Terra de Esperança já contou com a ajuda de mais de seis mil pessoas que puseram as mãos na terra para devolver à terra o que esta nos dá, todos os dias.

Segundo Sandra Aparício, da Fundação Galp, «é esta a força de um gesto que tem muito de simbólico: se cada um de nós acreditar que um pequeno gesto hoje pode contribuir para que a nossa comunidade seja melhor amanhã, teremos seguramente um futuro risonho».

Foi também por isso que o Movimento Terra de Esperança se associou, de forma natural, às celebrações do Dia da Floresta Autóctone, a 23 de Novembro. Nesse âmbito, foram desenvolvidas acções com 14 municípios de norte a sul do País e com o apoio de mais de 4500 jovens, que ajudaram à plantação de cerca de 110 mil árvores. O que permitiu elevar para 280 mil o universo total de árvores já plantadas em iniciativas desenvolvidas pela Terra de Esperança.

Criado com o objectivo de promover a divulgação da importância da conservação das florestas naturais, o Dia da Floresta Autóctone contribui para a preservação e para a expansão das nossas espécies indígenas, fomentando a biodiversidade da floresta portuguesa. A adesão dos municípios e dos voluntários a este dia é, por isso, um sinal evidente de que devemos ter esperança num futuro melhor e mais sustentável.

Perto de 280 mil árvores depois, é possível afirmar que o caminho da Terra de Esperança vai precisamente nesse sentido, fortalecendo a ideia que é possível, trabalhando em conjunto, alimentar causas que nos tornam numa comunidade melhor.

Que o diga Pedro Pinela, voluntário Galp, que em Junho deste ano teve a oportunidade de voltar à Serra do Açor para acompanhar o resultado das árvores que plantou com os colegas em 2017. «É sempre bom voltar aos sítios onde deixamos a nossa marca e o nosso empenho. Ver como estão crescidas as árvores plantadas ainda sobre terra quente e sentir aquele misto de cumprimento e entreajuda vividos.»

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