Ben Cohen e Jerry Greenfield, fundadores da marca de gelados Ben & Jerry’s, lançaram um apelo público à Unilever para que a empresa seja separada do novo conglomerado de gelados do grupo, defendendo que a marca deve recuperar a sua independência para poder honrar o compromisso de longa data com a justiça social.
Numa carta aberta dirigida aos investidores e à administração da The Magnum Ice Cream Company (TMICC), a nova entidade que irá concentrar as marcas de gelados da Unilever, incluindo Ben & Jerry’s, Magnum e Wall’s , os fundadores pedem que a marca seja “libertada”. Segundo os mesmos, a missão social que está na génese da marca está a ser sistematicamente comprometida.
Apesar de já não terem controlo sobre a empresa desde a sua aquisição pela Unilever em 2000, Cohen e Greenfield afirmam que a voz da Ben & Jerry’s tem sido “silenciada”, nomeadamente quando tenta pronunciar-se sobre questões como a justiça social ou conflitos armados.
A contestação surge no seguimento do anúncio, feito em 2024, da separação do negócio de gelados da Unilever, com a criação de uma nova empresa que deverá funcionar de forma autónoma. No entanto, os fundadores alertam que esta nova estrutura manterá não só a herança corporativa como também a liderança e os padrões de decisão que, segundo eles, têm restringido a autonomia da Ben & Jerry’s.
A história de conflito entre a marca e a Unilever não é nova. Em 2021, a Ben & Jerry’s suspendeu a venda de produtos em territórios palestinianos ocupados por Israel, em protesto contra as políticas de deslocamento forçado da população palestiniana. A decisão originou uma batalha legal, depois de a Unilever ter vendido a licença de operação em Israel a um operador local, permitindo a continuidade das vendas, algo que a Ben & Jerry’s considerou uma violação do acordo de aquisição assinado em 2000.
Mais recentemente, em Fevereiro de 2025, a marca acusou a Unilever de a pressionar a não criticar publicamente Donald Trump, e em Novembro de 2024, moveu uma acão legal contra a multinacional por alegadamente tentar impedir declarações públicas de apoio a refugiados palestinianos no contexto do conflito em Gaza.














