“Freelancer do Dia CCP by Marketeer”: Carolina Caldeira

É difícil sobressair por entre dezenas de curriculos. A partir de certa altura, os nomes confundem-se e aquele que poderia ser o par perfeito para um projecto na calha acaba por fugir. Partindo do directório lançado pelo Clube Criativos Portugal (CCP), a Marketeer propõe conhecer melhor alguns dos talentos freelancers nas áreas da criatividade e comunicação.

Carolina Caldeira (produtora/redactora/criativa multidisciplinar) é a mais recente protagonista da rubrica “Freelancer do Dia CCP by Marketeer”, que apresentará, duas vezes por semana, exemplos de quem decidiu aventurar-se por conta própria.

Qual é o trabalho de que mais te orgulhas?

O trabalho de que mais me orgulho é, sem dúvida, ter criado e desenvolvido o projecto do Bathstage Music. Começou com uma ideia meio mirabolante e é agora um colectivo artístico que se dedica a aprofundar o diálogo entre a música e as casas de banho, através dos fundamentos da arquitectura e dos contornos artísticos de ambas as partes.

Começámos com as Bathstage Sessions, que são sessões de música captada ao vivo em contexto de casa de banho e transmitidas online e, mais recentemente, na televisão (Canal 180); mas com várias vontades de, no futuro, expandirmos o mesmo conceito para outros formatos.

Qual é o projecto que queres fazer a seguir?

Estou a trabalhar num projecto de reedição de histórias infantis, partindo do pressuposto que as morais dessas histórias em particular não se adequam aos valores que hoje precisamos de passar às nossas crianças. Acredito que seja hora de parar de dizer que as princesas estão à espera que os príncipes as salvem. Vou expôr estas histórias através de peças de intervenção urbana em murais estrategicamente localizados na cidade, que darão o contexto para as histórias. É um projecto pessoal que me é muito querido e que me dá muito gosto fazer – é também, talvez, o mais exigente.

Porque é que te devem contratar?

Porque sei que olho para o mundo como uma oportunidade para criar e fazer algo de relevante. Que toque as pessoas, que mude alguma coisa na percepção de quem quero impactar.

Acho que faz falta quem encare os dias com magia e, apesar de saber que soe talvez um pouco metafísica e esotérica ao dizer isto, não vou refazer esta frase. Acho que faz falta quem encare os dias com magia.

Como vês a situação actual que vivemos?

Posso falar apenas do que vejo da minha janela (interior e exterior). Na minha experiência pessoal, têm sido alturas de grande instabilidade, emocional e não só, a todos os níveis, e que a ansiedade que vem como extra pode ser também catalisadora de criações interessantes como respostas ao que se vive. É também permitida alguma inactividade, alguma relutância em dar passos, principalmente aos artistas. Por isso, acho que a palavra-chave, se tivesse de escolher uma, seria tolerância. Precisamos de ser tolerantes e de poder ver o quadro com alguma distância para perceber algumas coisas que, com pressa e a correr, não daria para notar.

Desde quando és freelancer e o porquê dessa decisão?

Sou freelancer desde o início de 2019. Depois de algum tempo a trabalhar full-time em contexto de agência, era inegável a minha vontade de querer envolver-me em projectos fora do trabalho do dia-a-dia e esses projectos surgiam, naturalmente, de uma vontade própria.

Para poder conciliar uma actividade não sustentada (projectos pessoais) com outra que fosse remunerada, a estrutura de um mercado freelance é o que mais se encaixa nesse sentido.

Quais as vantagens e desvantagens de ser freelancer?

Diria que, como vantagens, encontro o facto de poder decidir em que projecto me envolver e não ficar tão dependente dos pedidos e dos contractos que se têm de obedecer em agência, por exemplo – poder escolher os clientes com quem trabalho e adequar as respostas a desafios com que mais me identifico.

Como desvantagens, a questão da organização do tempo e dos recursos. Comecei por ser uma pessoa pouco disciplinada, mas com o tempo fui aprendendo – mas é um desafio contínuo. O síndrome do impostor continua, as inseguranças continuam, continua tudo o que um criativo vive e sofre em ambiente de agência e com uma equipa, mas a solo. É desafiante, mas também se torna tudo um bocadinho mais leve quando os responsáveis de cada projecto também compreendem o lado do colaborador freelancer. Lá está, a tolerância – sempre precisa, sempre bem-vinda.

Para conhecer melhor Carolina Caldeira:

Link para directório de freelancers CCP:
https://freelancers-ccp.webnode.pt/carolina-caldeira/

Link para site:
https://bathstagemusic.com/

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