O sector do marketing está a atravessar um período de forte tensão emocional e profissional. Entre exigências cada vez mais elevadas, instabilidade no emprego e reconhecimento limitado, muitos profissionais admitem estar a operar no limite das suas capacidades.
De acordo com o Career & Salary Survey 2026 da Marketing Week, que reuniu respostas de 2.350 profissionais, 65,3% dos marketers afirmam ter-se sentido sobrecarregados nos últimos 12 meses. Mais de 60% dizem sentir-se desvalorizados, enquanto 55,1% admitem estar emocionalmente esgotados.
Este desgaste surge num contexto em que o marketing é frequentemente visto como uma função vulnerável em momentos de contenção económica. Orçamentos reduzidos, reestruturações frequentes e pressão constante por resultados mensuráveis contribuem para um ambiente de trabalho marcado pela insegurança e pelo stress contínuo.
A necessidade de provar valor de forma permanente transformou o quotidiano dos profissionais de marketing. A margem para erro é cada vez menor e as expectativas mantêm-se elevadas, mesmo quando os recursos disponíveis diminuem. Esta combinação tem levado muitos a prolongar horários, acumular funções e adiar pausas essenciais.
O resultado é um sector onde o burnout deixou de ser um risco pontual e passou a ser um fenómeno recorrente. A exaustão emocional afeta não só o bem-estar individual, mas também a capacidade criativa e estratégica das equipas.
Especialistas alertam que o desgaste generalizado não pode ser encarado como uma falha pessoal, mas como um sinal de problemas mais profundos na organização do trabalho. A ausência de apoio adequado, expectativas irrealistas e culturas de desempenho permanente estão a empurrar profissionais experientes para fora do sector.














