Estes comprimidos salvam… artistas

Um frasco de comprimidos de chocolate cor-de-rosa. É este o resultado da colaboração da Arcádia com o Manicómio e que conta com o apoio da Fidelidade Seguros.

Os chocolates ruby apresentam-se em formato de comprimidos, dentro de um frasco de vidro com tampa de cortiça, a lembrar as antigas embalagens de medicamentos. Todo o packaging (desde o rótulo, passando pelo tipo de letra e elementos da embalagem) foi desenvolvido com ilustrações dos artistas do Manicómio: Bráulio, Cláudia e Jos*.

Os chocolates que foram apresentados, precisamente, no Manicómio – projecto fundado no início de 2019 que funciona como um colectivo artístico, num espaço seguro de criatividade e trabalho para artistas com doença mental, em ambiente de cowork regular -, são encarados pela Arcádia como mais do que apenas um projecto de responsabilidade social, também um projecto artístico. Francisco Bastos, administrador da Arcádia, explica que «o trabalho desenvolvido pelos artistas do Manicómio acrescenta valor ao produto e, consequentemente, à marca – e por isso uma parte das vendas deste produto irá reverter para apoiar este projecto e os seus artistas». Além do frasco com chocolates foram também apresentados sacos de pano resultantes desta parceria onde se lê a frase “A Chocolate a Day Keeps the Doctor Away”.

Os frascos de chocolates Manicómio estarão à venda nas lojas Arcádia por €7,50 e o saco de pano por €2,00. Do valor das vendas, 10% reverte para a associação Manicómio.

A companhia de Seguros Fidelidade é o terceiro elemento desta parceria, suportando uma parte dos custos de produção o que permite uma maior contribuição dos valores de venda.

Sandro Resende, fundador do Manicómio, explica que se trata de um projecto com benefícios não só financeiros, mas sim, pelo processo de igualdade e de valor. «Financeiramente, a parceria é uma fonte de rendimento que nos permite ter independência dos subsídios e apoios estatais.»

Escusando-se a fazer estimativas de vendas, o responsável da Arcádia sublinha que estão bem apetrechados ao nível de caixas e de frascos e que, como os produtos são feitos na Arcádia, estão preparados para repor comprimidos à medida das necessidades. «Como este é um produto totalmente novo e conceptualizado com o Manicómio torna-se difícil prever como é que os consumidores vão reagir», refere.

Como nasce a ideia de criarem um projecto conjunto?

Francisco Bastos: A ideia partiu do Sandro Resende, fundador do Manicómio. Eu não conhecia o Manicómio e através de um contacto comum o Sandro desafiou-me a vir conhecer o projecto e eventualmente lançarmos um produto em parceria. Confesso que desde o primeiro minuto que entrei no Manicómio fiquei fascinado com as obras de arte que aqui estavam produzidas pelos artistas do Manicómio e com o projecto em si. Tenho muita admiração pelo projecto e pela forma como o Sandro está a desenvolver esta ideia.

Automaticamente quis estar envolvido e sem ter ainda definido como é que íamos fazer alguma coisa. Partindo desta vontade inicial das duas partes começámos a pensar o que é que podia ser feito. O trabalho do Manicómio é dar um espaço criativo aos artistas e ajudar a dignificar e a valorizar as obras deles. Mas é também um projecto que tem alguma provocação – que está logo no nome: Manicómio – que pretende reduzir o estigma sobre a doença mental em Portugal. Sendo esses alguns dos objectivos base do Manicómio, agarrámos nessas vertentes e brincámos um pouco com isso. Decidimos então criar um comprimido de chocolate.

E como se concretizou?

Francisco Bastos: Do lado da Arcádia decidimos escolher um novo tipo de chocolate que começámos a trabalhar, o ruby, que temos em forma de tablete de 40 gramas. O cacau é fermentado com frutos silvestres e acrescenta uma cor rosada ao chocolate. E remete mais para a ideia de comprimido. Ao fazermos os chocolates em forma de pastilhas decidimos então embalá-lo nos frascos de vidro tapado com uma rolha de cortiça. Ir buscar o imaginário das farmácias que, dizem-me, antigamente vendiam assim os medicamentos.

Havia dois espaços criativos: o rótulo do frasco e a caixa onde ia ser inserido. Isso foi entregue ao Sandro que selecionou três artistas. Através das suas obras de arte, fomos buscar alguns elementos e construímos o rótulo e a caixa para o produto, num trabalho conjunto entre o nosso departamento de design e os artistas do Manicómio.

Como foram escolhidos os artistas?

Sandro Resende: Eu propus-lhes a ideia e quem quis participar chegou-se à frente. A partir daí trabalhámos tudo, desde o letering aos elementos do rótulo e da caixa.

E, agora, onde se pode comprar o resultado da parceria?

Francisco Bastos: A partir daqui é tudo mais simples. O produto estará à venda a partir do dia 20 deste mês em todas as 27 lojas da Arcádia. 10% das vendas deste produto vão reverter a favor do Manicómio. Temos também um saco de pano que fizemos dentro desta parceria. Vai estar à venda por dois euros e o frasco por 7,5€. Encaramos estes 10% como a compensação aos artistas pelo trabalho que desenvolveram. Por isso digo que este não é apenas um projecto de responsabilidade social para a Arcádia. É um projecto artístico. Além disso queremos ajudar a espalhar a mensagem do Sandro e do Manicómio.

Como são geridos os 10% das vendas que revertem para o Manicómio?

Sandro Resende: Primeiro é pago aos artistas o trabalho deles enquanto ilustradores. O remanescente vai para a associação. Porque os artistas recebem uma bolsa de estudo, mais transporte, materiais para trabalhar e refeições. Esse montante vai ajudar a alimentar o sistema que está montado.

Depois dos cor-de-rosa, vão ter outros comprimidos?

Francisco Bastos: Comprimidos ou outras ideias… A parceria entre a Arcádia e o Manicómio funcionou muito bem. Terei vontade no futuro de acrescentar mais coisas a este inicial que lançámos.

Veja o filme do projecto que juntou a Arcádia e o Manicómio aqui:

Texto de Maria João Lima

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