Especialistas recomendam cuidados no regresso ao exercício físico

Por Paulo Ah Quin, regional master trainer do Holmes Place Portugal

No final do ano de 2019, surgiu um novo vírus que transformou o mundo. A este vírus chamaram COVID-19, responsável pela Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS-CoV-2).

Este vírus apresenta uma característica especial: afecta os humanos e tem uma mortalidade elevada. As repercussões no nosso corpo podem ser graves – levando à morte em alguns casos – ou simplesmente podem passar despercebidas (assintomático). Como sintomas mais comuns temos a tosse, febre, falta de ar e anosmia (falta do sentido do cheiro), mas não se fica por aqui. O vírus é multisistémico e afecta principalmente os pulmões, mas deixa marcas por todo o corpo, podendo afectar os sistemas nervoso, cardíaco, renal, imunitário, musculoesquelético e até o sistema vestibular.

É comum nas pessoas que recuperam da COVID-19 apresentarem ainda alguns sintomas após a alta médica. Estes sintomas podem perdurar até mais de 12 meses após a cura e destacam-se a fadiga (58%), dor de cabeça (44%), dificuldade na atenção (27%) e a perda de cabelo (25%)*. A maioria destes sintomas afecta o dia-a-dia, limitando a vida quotidiana ou o regresso à actividade física.

Para fazer frente a esta necessidade de uma rápida reabilitação total, o Holmes Place criou um novo produto que abrange três áreas vitais no bem-estar das pessoas: a Nutrição, a Fisioterapia e o Personal Training. A Nutrição faz a avaliação e a prescrição da estratégia alimentar, tendo por base os cuidados específicos sobre a questão imunológica e a tendência pro-inflamatória nesta população. A Fisioterapia avalia a capacidade funcional (ventilatória) e tolerância a pequenos esforços, aplicando um tratamento adequado se necessário. No campo do exercício físico, mais concretamente no Personal Training, é realizada uma avaliação da capacidade funcional e cardio-respiratória, através de um teste de consumo de oxigénio (VO2) com oximetria. O plano de treino, que tem acompanhamento semanal, segue directrizes internacionais que se baseiam em estudos feitos noutros síndromes com sintomatologia idêntica (SARS2002 e MERS2012) e estudos em populações com doenças semelhantes aos sintomas pós-COVID-19 (DPOC, Insuficiência Cardíaca, Alterações do Sistema Imunitário, entre outros).

Estes treinos são adaptados à condição individual, podendo ser realizados na piscina (meio aquático), no ginásio ou em ambiente de estúdio. Na piscina, os exercícios são benéficos para uma melhor capacidade cardiorrespiratória, padrão da respiração e a resistência muscular, com a vantagem de não ter de suportar o peso corporal e lidar com a resistência adaptativa da água. No ginásio, a pessoa pode trabalhar a capacidade de força e a capacidade aeróbia de forma adaptada, protegendo os sistemas cardíaco/imunitário e promovendo a aceleração da recuperação funcional. Nos estúdios podemos melhorar a capacidade de controlo postural (Pilates), gerir o stress (Yoga), socializar e promover o bem-estar físico e mental, evitando os estados depressivos e combatendo a ansiedade.

O plano integrado de soluções para auxiliar na plena recuperação necessita do aval médico para iniciar o processo. O trabalho cooperativo destas três áreas são o segredo para o sucesso do programa, tendo sempre a supervisão do departamento médico do Holmes Place.

Os especialistas alertam que as orientações não são iguais para todos no regresso ao exercício físico, sendo que os doentes que ficaram com sequelas e pessoas com doença cardíaca prévia devem ter cuidados redobrados. Se tem ou conhece alguém que tenha sequelas desta doença, consulte as condições do Programa de Reabilitação COVID-19 para que possa refortalecer a sua saúde de uma forma mais consciente e acompanhada por profissionais especializados.

*(Sandra Lopez-Leon 2021)

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