Empresas que diversificaram durante a pandemia estão a colher frutos

Em Portugal, menos de metade das empresas optou por diversificar produtos e serviços durante a pandemia, como forma de combater os efeitos económicos do novo coronavírus. O inquérito “Sinais Vitais”, realizado pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal em parceria com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE, mostra que apenas 19% optou por esta estratégia.

A análise, realizada com base numa amostra de 652 empresas, revela que entre as companhias que diversificaram produtos e serviços, 7,5% recorreu à produção ligada à saúde, com um peso estimado nas vendas de 21%. Equipamentos de protecção foram a principal aposta. Por outro lado, 9,7% apontou à produção de outros produtos e serviços, neste caso com um peso estimado das vendas de 24% e com o software a ser o produto em destaque.

Estes números levam Pedro Dionísio, do Marketing FutureCast Lab do ISCTE, a concluir que nas empresas em que existiu diversificação de produtos ou serviços, esta é relevante. Sobretudo nas indústrias. A mesma análise mostra ainda que somente 13% recorreu a apoios públicos para diversificar o negócio e que 65% (mais de dois terços) pretende manter estes novos produtos ou serviços no pós-COVID-19.

Quanto à diversificação de mercados, 9% das empresas inquiridas refere tê-lo feito. Destas, 3,2% optou pela produção para novos mercados de exportação e 4,5% para novos tipos de cliente no mercado interno. Em ambos os casos, o peso estimado da diversificação nas vendas ronda os 22%.

Também aqui, a percentagem de companhias que recorreu a apoios públicos neste sentido foi reduzida (11%). Por outro lado, questionadas sobre o prolongamento ou não desta aposta em novos mercados, a maioria (82%) fala em continuidade.

Ainda no tema diversificação, mas desta feita relativamente a canais e formas de venda, 18% das empresas diz ter explorado novas estratégias. No entanto, para 58% o acréscimo de vendas dos canais não habituais (como take-away ou vendas directas) é inferior a 1%. Para 14% fica entre 1 e 5% e para 15% chega ao intervalo de 11 a 20%.

O mesmo inquérito divulgado pela CIP mostra que 44% das empresas analisadas já vendia digitalmente e que 19% passou a vender. No total, no final de Maio deste ano, 63% tinha algum tipo de venda digital, sendo que este canal apresentava um peso estimado de 23% no total. 74% das empresas inquiridas diz que as novas formas de vender serão permanentes, mesmo depois da pandemia.

«Perante as dificuldades e os obstáculos, os números mostram que as empresas portuguesas procuram ultrapassá-los e uma parte delas está a evoluir», comenta ainda Pedro Dionísio. O mesmo responsável sublinha que a diversificação não chegou a todas as empresas, até porque nem todas teriam condições para o fazer.

Contudo, nos casos em que foi possível, a diversificação passou a ser muito relevante no total do negócio e, por isso mesmo, será para continuar.

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