A forma como as marcas surgem nos motores de busca mudou radicalmente com o avanço da inteligência artificial. Hoje, não basta ter um bom posicionamento no Google: as IAs generativas, como o ChatGPT ou o Modo IA do Google, escolhem e recomendam marcas diretamente aos utilizadores, baseando-se em dados públicos e na perceção social das mesmas.
Segundo o estudo AI Visibility Index 2025, da Semrush, este processo funciona em duas fases complementares: descoberta e autoridade.
Na fase de descoberta, a IA analisa o que se diz sobre as marcas em fóruns, redes sociais, plataformas de avaliações e artigos comparativos, procurando identificar aquelas com melhor reputação e presença online. O que os utilizadores dizem sobre a marca pesa mais do que a informação que a própria marca publica.
Na fase de autoridade, a IA verifica a fiabilidade das informações sobre produtos e serviços, recorrendo a websites oficiais, Wikipedia e páginas com dados estruturados, como preços, características ou FAQ. Se a marca não disponibilizar informação clara e acessível, pode ser ignorada, mesmo que tenha boa reputação na primeira fase. Muitas empresas falham em equilibrar estas duas etapas: algumas têm forte presença social, mas sites desorganizados; outras apresentam excelente SEO técnico, mas pouca interação social ou avaliações; e há ainda aquelas com conteúdo de qualidade, mas informações pouco transparentes sobre produtos e preços.
Cada setor enfrenta desafios específicos: a tecnologia e software tendem a ser muito mencionados, mas pouco citados formalmente; moda e retalho destacam-se nas redes sociais, mas os sites são pouco estruturados; finanças têm forte autoridade, mas baixa presença social; e a eletrónica de consumo depende muito de marketplaces, com pouco conteúdo próprio.
Para ter sucesso, as marcas precisam de equilibrar reputação online e informação oficial, incentivando avaliações, participando em fóruns, criando conteúdo visível e estruturando o site de forma clara e acessível, mantendo também perfis atualizados em Google, LinkedIn e Wikipedia. Na era da pesquisa inteligente, as marcas que conseguirem combinar estas duas dimensões estarão bem posicionadas para serem escolhidas pelas IAs e, consequentemente, pelos utilizadores.














