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Critério e postas de pescada

NotíciasOpinião
Marketeer
10/12/2023
19:32
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10/12/2023
19:32
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Por Paula Santos, Freelance Senior Copywriter

Como boa portuguesa, levo o tema “comida” com alguma seriedade. Não sei se nos está no ADN ou é apenas uma questão cultural, mas quando chega a hora da refeição tornamo-nos todos fundamentalistas e ai de quem disser que é indiferente de onde vem o chouriço ou que o pão caseiro “dá muito trabalho a comer”, como já tive a infelicidade de ouvir.

E é esta nossa característica, aparentemente divertida e inocente, que nos leva a outras questões gastronómicas: os famosos reviews online. Boas avaliações nas plataformas como Tripadvisor, The Fork e muitas outras, são fundamentais para trazer mais clientes e mais notoriedade aos restaurantes.

Ou seja, o que antigamente era uma recomendação de um amigo ou familiar, em cuja avaliação confiávamos, passou agora a ser uma recomendação de todos.

Só que há um pequeno problema. O que para um turista é o melhor prato que já provou na vida, para um português é uma refeição banal, que não se compara ao que se habituou a comer diariamente em casa da avó. Da mesma forma que milhões de japoneses poderão avaliar um sushi com mais conhecimento do que eu.

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Por isso neste momento em Portugal e, quiçá, no mundo estamos perante uma crise de critério gastronómico online. É só ver restaurantes em zonas turísticas (os chamados turist trap) com avaliações excelentes de 4 e 5 estrelas. Ou a facilidade com que nos deparamos com restaurantes com comentários extraordinários, dos quais saímos num total desconsolo, tal foi a desilusão de refeição que nos foi servida.

Ou seja, é óbvio que todos temos direito a ter opiniões, mas de nada importa uma opinião se faltar o fundamental: o critério.

E claro que o critério é sempre subjectivo, mas neste caso, é uma subjectividade num tema que até dominamos. Ou seja, é um critério que vale a pena ser ouvido.

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E é aqui que entra o paralelismo com a nossa área. É fundamental que as marcas confiem no critério dos seus departamentos de Marketing e que estes trabalhem com agências em cujo critério também confiam. Tal como é importante para um criativo confiar no critério do seu director Criativo, como é importante este criar uma bitola para a sua equipa. Se não for assim, está na hora de mudar.

O critério permite reconhecer o que é bom, o que funciona e permite tentar fazer melhor. O que também permite às marcas arriscarem, porque acreditam na qualidade do que lhes está a ser apresentado. E as marcas que arriscam, destacam-se e são reconhecidas por isso. É a chamada pescadinha de rabo na boca.

Porque sem essa bitola, se a opinião de todos tiver o mesmo peso, corremos o mesmo risco que um turista corre, ao achar que todos os pastéis de nata de Lisboa são merecedores de 5 estrelas. E como bem sabemos, porque já todos estivemos lá uma vez ou outra, quando o critério foi esquecido, a campanha foi só mais uma e sensaborona.

E caso achem um exagero, deixo-vos aqui “food for thought”: o que ao longo dos anos contribuiu para a qualidade gastronómica do País foi o alto critério que se tinha pelo tema. Se começamos a contentar-nos com o banal, deixamos de nos destacar. Tal como as marcas. Estão a ver a ligação?

Quanto ao drama das avaliações dos restaurantes, só nos resta voltar a perguntar aos amigos que restaurante recomendam. Mas só àqueles que sabem o que é bom.

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