Consumidores de todo o Mundo estão a ficar mais parecidos

Desde Janeiro, o comportamento dos consumidores um pouco por todo o Mundo tem mostrado pontos em comum. Quem o diz é Scott McKenzie, global head da unidade de Intelligence da Nielsen, segundo o qual as pessoas têm vindo a adaptar aquilo que compram com base nos ajustes que também tiveram de fazer à carteira na sequência da pandemia de COVID-19.

«No que diz respeito a gastos, esta é uma das poucas vezes na História em que grande parte da população global de consumidores se está a comportar de forma parecida», sublinha o responsável num artigo publicado no The Drum. Numa primeira fase, a Nielsem verificou níveis de consistência relativamente à forma como reagiam às notícias sobre o novo coronavírus: as notícias funcionavam como gatilho para compras por impulso e para o açambarcamento de papel higiénico, por exemplo.

De seguida, com o confinamento obrigatório, notou-se uma mudança no tipo de compras tendo em vista a preparação de refeições em casa e a necessidade de entretenimento também dentro de portas. Os consumidores inquiridos pela Nielsen mostram estar satisfeitos com alguns dos novos hábitos e garantem que são para manter mesmo depois da pandemia.

Scott McKenzie diz que as mesmas perguntas foram feitas repetidamente em dezenas de países e que a resposta mais consensual é de que passar mais tempo em casa será um comportamento mais comum. Ainda que os planos mudem quando surgir uma vacina, por exemplo, o que o responsável da Nielsen destaca é a consistência transversal nas intenções agora.

A busca por eficácia e origem

As expectativas dos consumidores face àquilo que compram também estão a mudar, sendo que eficácia é uma das palavras de ordem. Especialmente nos produtos de limpeza, as pessoas querem saber se os resultados são, de facto, aqueles que as marcas prometem.

Regista-se também um interesse crescente pela produção local e por cadeias de abastecimento que sejam curtas e transparentes. Os consumidores exigem conhecer a origem daquilo que compram, uma tendência que já se sente há alguns anos mas que ganhou nova força com a pandemia.

Recalibrar carteiras

As compras online cresceram com a quarentena e, de acordo com a Nielsen, os consumidores que optam por este canal têm mostrado ser menos lucrativos do que aqueles que visitam uma loja com paredes e tecto. Não pelos consumidores em si mas pelos custos que os retalhistas têm com gestão de inventário, por exemplo.

Contudo, em alguns países, a adopção alargada do comércio electrónico poderá melhorar o lucro e levar os retalhistas a apostar mais na expansão online. Segundo Scott McKenzie, o que as empresas terão de ter em atenção é o período que se segue de constante afinação da procura por partes dos consumidores nos vários canais disponíveis. Trata-se de uma consequência da «inevitável da recessão», indica o especialista, referindo-se ao impacto que isto terá nos preços, escolha de marcas e de tamanhos de embalagens, por exemplo.

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