Comunicar para energizar

20140527_PAF7252_rs2Realizou-se ontem a VII Conferência Human Resources Portugal (revista do grupo Multipublicações que edita também a Marketeer) que tinha como tema “Engagement: A energização e o papel da comunicação”.

Somos todos seres comunicantes. E é a comunicação, enquanto parceira estratégica da organização, que vai permitir energizar os colaboradores e por consequência criar e alavancar o engagement na organização. A energização, porém, exige uma comunicação genuína, coerente e de proximidade. Foram algumas das pistas discutidas no debate da manhã de ontem.

«Falar sobre pessoas é uma das coisas que me dá mais gozo», revelou António Mexia, presidente da Comissão Executiva da EDP – Energias de Portugal, na abertura da conferência. Numa exposição em torno «das palavras que garantem o engagement: a energização e a comunicação», António Mexia realçou o valor do exemplo na liderança: «A liderança e a aprendizagem têm muito a ver com os exemplos: o professor da escola do ensino primário, o avô ou alguém com quem trabalhámos pode energizar-nos. Por outro lado, há os “sugadores” de energia, nefastos ao nível das organizações e a nível pessoal». «O importante é mantê-los longe e encontrar quem seja o dínamo da energia», resumiu.

O líder e os líderes intermédios nas organizações são a chave para o engagement. António Mexia esclarece: «É preciso conseguir uma liderança em nome das pessoas e para as pessoas. Desde que as pessoas estejam envolvidas, que saibam que estão a lutar por um “happy ending”, o bem de toda a organização, as pessoas são energizadas.»

A receita do engagement

“Como energizar as equipas de Gestão?” foi o tema em debate entre Vasco Falcão, director-geral da Konica Minolta, e António Henriques, CEO do Grupo CH, moderados por Pedro Raposo, director de Recursos Humanos do Banco Espírito Santo.

Vasco Falcão, líder da subsidiária portuguesa de uma multinacional japonesa, garantiu que «nas empresas japonesas, a dedicação é para toda a vida. Na Europa, não é o caso e é preciso fazer uma adaptação à realidade portuguesa.»

Para António Henriques, o engagement em português implica três elementos essenciais: «Verdade, coerência e autenticidade. Não acredito numa liderança forte sem coerência e sem verdade. O que nós temos conseguido nas nossas equipas é essa estratégia de envolver as pessoas e de mostrar o caminho.»

Para se conseguir estimular as pessoas na organização onde se trabalha, Vasco Falcão fala do desafio de conseguir um “mix” perfeito de factores – um deles a remuneração – para conseguir energizar cada colaborador da melhor forma.

E, desafiados a proporem a melhor tradução da palavra engagement, o director-geral da Konica Minolta propõe «paixão» e António Henriques, «compromisso.»

Comunicar num todo

No evento da revista Human Resources Portugal seguiu-se a mesa redonda “O papel de comunicação nos processos de engagement”. Carla Marques, directora Comercial da Randstad Contact Centres, Fernando Magalhães, director de Recursos Humanos do Vila Galé Hotéis, e Luís Roberto, director de Comunicação e Relações Institucionais da BP Portugal, foram os oradores, num debate dinamizado por Pedro Ramos, director de Recursos Humanos da Groundforce.

Luís Roberto sublinhou que na BP «não existe alguém que seja dono da comunicação, mas temos toda a organização a participar na área. O objectivo é provocar reacções, sentimentos entre as pessoas.» E acrescenta: «Atrevo-me a dizer que a comunicação representa mais de 60% dos processos de engagement.»

Carla Marques, por seu lado, relembrou os desafios de comunicar para determinados públicos dispersos geograficamente, o caso dos centros da Randstad Contact Centres, espalhados de Norte a Sul do País e com colaboradores na sua maioria entre a faixa etária dos 18 aos 30 anos. Numa área com exigências de produtividade medidas ao segundo e com uma alta rotatividade, comunicar é uma necessidade premente para reter e motivar os colaboradores, explica Carla Marques: «A comunicação é parte da nossa estratégia e tem três eixos: a partilha de objectivos, a integração das pessoas e a motivação e retenção.» Algo conseguido através de diversas iniciativas internas destinadas aos colaboradores como torneios de futebol ou quadros de honra.

Fernando Magalhães, por sua vez, defendeu que a comunicação é, acima de tudo, «uma cultura, mais do que meios e ferramentas». Sobre comunicar para diferentes geografias, como para as operações em Portugal e no Brasil do grupo hoteleiro, Fernando Magalhães constata que «há momentos em que a mensagem pode ser diferente, mas quando se quer veicular os valores da organização, no fundo a mensagem é comum.»

Sentido, sedução e identidade

Rui Semedo, presidente do Conselho de Administração do Banco Popular, encerrou a conferência. «Uma das condições para comunicar é perceber as limitações que temos para transformar os outros», realçou. «Na comunicação, é preciso tirar partido do processo de aprendizagem permanente face à vida.»

A comunicação serve, segundo Rui Semedo, para «dar sentido às coisas, uma orientação comum», «unir e aliar as pessoas à volta dessa mensagem» apesar das diferenças, contornar o «aborrecimento, um dos grandes problemas do Homem», «encorajar o riso, a graça, uma prova de inteligência» e a «responsabilidade individual».

Sem esquecer que a comunicação é um processo de sedução, como afirmou. «O processo de comunicação, com clareza, com convicção, é um processo de sedução que se faz com um discurso».

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