Compraria arte a um recluso prisional? Nova plataforma sugere mercado mais inclusivo

Está a chegar uma nova plataforma para expor, pesquisar e comprar arte bruta nacional. A Raw Art Made é lançada no próximo dia 13 para garantir que qualquer pessoa pode ter acesso a arte feita por artistas considerados “outsiders”, ou seja, que não se integram ou são discriminadas no circuito artístico dominante. Neste grupo cabem artistas com doenças neurológicas, por exemplo, mas também reclusos prisionais.

Trata-se, de acordo com a fundadora Carolina Quirino, de um projecto com curadoria que tem como objectivo promover um mercado artístico mais acessível, sustentável, inclusivo e diverso. “We Democratize Art” é, por isso, o slogan da nova plataforma.

Para já, o projecto é 100% online mas, no futuro, a Raw Art Made ambiciona saltar para o mundo físico e organizar exposições ou outras iniciativas, nomeadamente parcerias com instituições, que ajudem a dar mais poder aos artistas que fazem parte da plataforma.

«O mundo da arte permanece um meio bastante exclusivo, que muitos continuam a percepcionar como elitista e inacessível, e cujo mercado oscila em função de tendências, códigos e buzzwords difíceis de acompanhar por parte de muitos públicos e praticantes, quer em Portugal, quer a nível internacional», comenta a designer Carolina Quirino, justificando a necessidade de criar um projecto como a Raw Art Made.

A responsável foi percebendo, ao longo do seu percurso profissional, que há artistas com muita qualidade e potencial que são estigmatizados e excluídos, só por terem algo que os diferencia da norma social. «Refiro-me, por exemplo, a artistas com doenças neurológicas, algum tipo de deficiência ou reclusos prisionais, entre outros, que se tornam invisíveis devido a estas circunstâncias, e a quem é negada a oportunidade de partilhar o seu trabalho incrível», conta.



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